Sustentabilidade: o agronegócio preservando o meio ambiente

Conheça 5 ações que visam aliar o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental

 

Por Camila Gabrielle

Há alguns anos, o Brasil vem sofrendo com a crise econômica que abalou diversos setores da economia, registrando o aumento no número de demissões. O país, que tenta se recuperar, encontrou forças em um setor que tem driblado a crise.

O agronegócio, em especial, a agropecuária (setor agrícola e pecuário), tem impulsionado o Brasil durante este período de déficit econômico, especialmente no primeiro trimestre de 2017. Mas, os dados positivos vêm antes. Em 2015, o setor foi o único que cresceu no país.

O professor Cristiano Zerbato, da Universidade Estadual Paulista (Unesp/ Jabotical) destaca que “ no PIB brasileiro, o único setor que fecha positivamente os últimos anos é o da agricultura”.

Infográfico: Camila Gabrielle

Mas, trabalhar com a Agropecuária  não é simples e envolve investimentos e cuidados, não apenas com a qualidade do produto que será produzido, mas também com a sustentabilidade.

Entende-se que a sustentabilidade se refere às atividades humanas que tem como objetivo suprir as necessidades sem comprometer o futuro. Este conceito se aplica também no campo, local de produção agrícola.

Além disso, os três pilares da sustentabilidade são: econômico (ou seja, produzir e oferecer produtos de forma justa e viável), social (já que uma empresa possui funcionários e uma sociedade ao seu redor que é diretamente afetada por suas decisões) e ambiental (no qual a empresa deve procurar meios de não agredir ao meio ambiente, promovendo desenvolvimento sustentável).

Em um período onde questões ambientais estão à tona pelo crescimento de problemas relacionados ao meio ambiente, como aquecimento global, desmatamento, poluição atmosférica, escassez de recursos hídricos – em especial, a água-, é muito importante realizar medidas que visem a preservação da fauna e flora.

Visando estes pilares e diante dos problemas ambientais que constantemente afetam a questão da sobrevivência no planeta, existem cinco ações realizadas no campo (ligados à agropecuária), em especial, durante a produção, que são importantes para garantir a sustentabilidade, no âmbito ambiental.

    1.Crédito do Carbono

O Aquecimento Global é uma realidade deste século. Ele se dá pelo aumento da temperatura do planeta e afeta toda uma sociedade. Alguns elementos contribuem para a intensidade deste aquecimento, inclusive a emissão do gás carbônico (CO2).

Existem vários acordos mundiais que visam a redução da emissão deste gás, entre eles, o Acordo de Paris. Ele foi assinado por 195 países e tem o objetivo de “manter o aumento das temperaturas médias globais “muito abaixo” dos 2°C em relação à era pré-industrial”, de acordo com a BBC.

Neste ano, os Estados Unidos saíram do Acordo após o presidente Donald Trump afirmar que é “desvantajoso” para a economia e os trabalhadores norte-americanos. Mas, apenas o país é responsável por 15% de toda emissão de dióxido de carbono mundial.

Diante deste caso, é muito importante tomar medidas que combatam a expansão do aquecimento global. Por isso, no Brasil, a agricultura tem utilizado um programa de “baixa emissão de carbono”, ou seja, evitar que o CO2 se espalhe pela atmosfera. Por exemplo, muitos produtores de cana-de-açúcar não fazem mais a queimada.

A queima da palha da cana,no estado de São Paulo, está proibida. Produtores têm até o fim do ano para se adaptar / Crédito: Camila Gabrielle

A cana absorve o CO2 durante seu período de crescimento, que leva de 12 a 18 meses. Durante a queimada, em cerca de 1 hora, todo o gás já foi liberado para a atmosfera, provocando um grande impacto ambiental.

Não queimar a cana, contribui para o Crédito do Carbono, um mecanismo que visa a redução da emissão do CO2. Uma tonelada de gás corresponde a um crédito que a empresa ganha por não realizar a emissão. Este crédito pode ser negociado entre empresas, dando lucro ao produtor.

Uma técnica nova também tem sido utilizada para “Sequestrar o Carbono”. Ela se refere à plantação de seringueiras. Cada seringueira consegue “capturar” cerca de 150 quilos de CO2.  Esta ação, ajuda os produtores a conseguirem uma renda maior, por entrarem no mercado de crédito de carbono. O Brasil ocupa terceira posição mundial entre os países que estão neste comércio.

  1. Plantio de áreas florestais

Assim como o aquecimento global, o desmatamento também é um grave problema ambiental, que consiste na retirada da vegetação nativa para exploração irregular da madeira ou solo. Estes problemas se relacionam diretamente, já que a retirada da vegetação aumenta a emissão de CO2 no meio ambiente.

O Código Florestal determina que um fazendeiro ou proprietário de terra deve reservar parte da sua propriedade para manter com floresta (cerca de 20% no estado de São Paulo). Isto é chamado de “Reserva Legal”.

De acordo com a o “Sistema Nacional de Informações Florestais” (SNIF), Reserva Legal é “área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas” (Lei 12.651/2012). Nessas áreas é permitido o manejo florestal sustentável para a produção de bens e serviços, desde que o plano de manejo seja aprovado pelo órgão de governo competente”.

De acordo com o professor Marcelo Domingos, da Unesp/Registro “o agronegócio se beneficia em manter parte de sua propriedade com cobertura vegetal nativa, ou seja, em área destinada à reserva legal ou em área destinada à preservação permanente” e ressalta “manter a cobertura vegetal nativa em propriedades rurais implica em um controle melhor de possíveis incidências de pragas e doenças típicas do monocultivo, bem como, a melhoria e manutenção do microclima da região”.

Plantação de Mudas para recompor uma área pertencente à uma usina de cana-de-açúcar/ Crédito: Camila Gabrielle

Quem desmatar a reserva, poderá recompor parte dela com espécie exótica (eucalipto e pinus). O fazendeiro ou dono de terra deve fazer o “Cadastro Ambiental Rural” (CAR) de sua propriedade e áreas de preservação. Muitas empresas têm feito o plantio de espécies nativas e com isso, obtido resultados como recuperação da flora e fauna locais.

Infográfico: Camila Gabrielle

O professor Marcelo ainda ressalta que plantar árvores nativas são melhores para o ecossistema local pois “garantem um equilíbrio ecológico (flora e fauna) adequado àquele ambiente. Já as arvores exóticas possuem uma constituição fisiológica diferente daquelas consideradas nativas. ”

  1. Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

O agronegócio tem crescido, em especial, nas últimas três décadas. Este crescimento pode causar danos no solo como erosão (deslocamento de terra de uma superfície), infertilidade, assoreamento (acúmulo de sedimentos que atrapalham o curso das águas), poluição entre outros. A população consome cada vez mais produtos derivados deste setor.

Com isso tornou-se necessário desenvolver métodos que recuperam áreas degradadas e aumentam a eficiência dos sistemas de produção. Foi daí que surgiu o termo “Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) ”.  O projeto consiste basicamente no setor pecuário estar em conjunto com o agrícola e/ou florestal.

Por exemplo, se um produtor plantou soja, quando a safra acabar, ele não plantará milho, por exemplo e sim, pastagem para servir de alimento ao gado. Já a floresta é plantada entre o sistema de lavoura e o da pecuária. Dentre alguns benefícios desta integração, destaca-se a recuperação de nutrientes para o solo e sombra para o gado.

Apesar de grandes produtores utilizarem este método, pequenos produtores também podem usá-lo desde que as condições no solo e no clima não sejam restritas. Além disso, se o solo apresentar declínio, existirá algumas limitações em utilizar a Integração.

  1. Agricultura de Precisão e Digital

O século XXI é marcado pelo avanço tecnológico em diversos setores, dentre eles, o agrícola. A tecnologia também é uma realidade no campo e termos como “agricultura de precisão” e “agricultura digital” vêm ganhando espaço.

O primeiro termo se refere a equipamentos georreferenciados (GPS) que analisam e monitoram toda a área plantada para garantir maior precisão no campo. Já a agricultura digital se refere a coleta de dados no campo por meio de sensores. Esses dados são processados e a equipe que monitora consegue prever quais decisões são melhores para determinada situação.

As duas, evitam diversos erros cometidos como o desperdício de água e a falta de dosagem de sementes. Também é possível aumentar a produtividade com a mesma área de plantio.

Além disso, este tipo de tecnologia estuda o clima para evitar perdas no campo, já que muitas plantações sofrem com inesperadas variações climáticas. Com o crescimento populacional, a demanda por comida também aumentará. Daí a necessidade de estudar formas de produzir sem agredir ao meio ambiente.

O professor Cristiano Zerbato, da Unesp/ Jabotical, explica que “o benefício geral para o ambiente é o menor emprego de produtos químicos (fertilizantes, corretivos e defensivos agrícolas) onde há a aplicação destes produtos somente na dose necessária que aquele local necessita, poluindo menos. Para a comunidade agrícola este menor gasto gera um retorno financeiro maior para o agricultor no final da safra”.

Apesar dos benefícios, ele ressalta que existe um grande investimento e que o retorno econômico vem ao longo dos anos com a diminuição de gastos com insumos agrícolas e aumento da produtividade.

 

  1. Adubo com material orgânico

O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos, desde 2008, de acordo com a Anvisa.  Existem muitas polêmicas que envolvem o uso destes produtos na plantação, como aumento no risco de câncer e contaminação do solo.

Visando reduzir o uso destes fertilizantes químicos, muitas empresas do agronegócio têm usado os resíduos orgânicos (restos de vegetais ou de resíduos animais gerados através da atividade humana) para adubação. Os benefícios são inúmeros, como enriquecer o solo e diminuir o uso de fertilizantes químicos na plantação.

Por exemplo, usinas de cana-de-açúcar utilizam a vinhaça (resíduo malcheiroso que sobra após a destilação fracionada do caldo da cana fermentado, na produção do etanol). E, para cada litro de álcool, doze litros de vinhaça sobram como resíduo. Este material é rico em potássio e minerais que nutrem a planta.

Vinhaça em uma usina de cana-de-açúcar / Crédito: Camila Gabrielle

Algumas empresas que produzem grãos, como soja, feijão e trigo têm usado outra alternativa: esterco de animais em conjunto com calcário, por exemplo, para enriquecer o solo com nutrientes. É uma atitude mais sustentável e rentável economicamente.

Atitudes como estas já estão sendo tomadas, mas ainda existe um longo trabalho de conscientização ambiental que será responsável por garantir o futuro deste setor tão importante para a economia nacional e a manutenção de nossos recursos naturais.

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