SecureDrop: a plataforma que une informação e proteção

Ferramenta é utilizada por grandes corporações de jornalismo e traz segurança para fontes em pautas delicadas.

Devido aos escândalos de vigilância online, o anonimato é essencial para a segurança das fontes. (Foto: Getty Images)

Nos últimos anos, a tecnologia tem sido responsável por mudanças substanciais no jornalismo. Ferramentas como o SecureDrop ajudam a tornar a atuação jornalística mais segura. Trata-se de uma plataforma open-source (“código aberto” – pode ser adaptada para diferentes fins) de entrega de documentos confidenciais por fontes anônimas. O SecureDrop visa proteger a comunicação entre jornalistas e autores de denúncias (whistleblowers).

Modos de Usar

Para utilizá-lo, a organização instala o software em seus servidores. Quem deseja mandar informações aos veículos deve ter a versão atualizada do Tor Browser (um pacote de ferramentas para segurança na internet) e visitar a página do SecureDrop da organização específica, como o The Guardian SecureDrop Server. O delator recebe quatro palavras-chave aleatórias no site e deve memorizá-las. Na sequência é mostrada a página para enviar informações. 

Os jornalistas têm acesso aos documentos por meio de um site interno que notifica mensagens recebidas. A criptografia das mensagens é feita usando a chave GPG do jornalista, só ele terá acesso graças a esse sistema de chaves. Os dados são baixados em um pendrive e transferidos para uma estação segura de visualização dos documentos. Os dados são traduzidos e analisados com a chave GPG e depois destruídos.

Em seguida, o jornalista retorna ao website interno e pode responder o delator. As mensagens enviadas por jornalistas são criptografadas e só podem ser visualizadas usando as palavras-chave decoradas pelo delator. Ainda, o SecureDrop utiliza técnicas que impedem a identificação do endereço IP ou da localização do delator.

A ferramenta é bastante utilizada por veículos renomados, como o The Guardian, da Inglaterra, e o The Globe and Mail, do Canadá. A jornalista Robyn Doolitle, repórter investigativa do The Globe and Mail, explica no tutorial abaixo (em inglês) como enviar documentos para a redação do jornal através do SecureDrop.

Desenvolvida por Aaron Swartz, prodígio da programação e defensor do direito à informação, e pelo jornalista Kevin Poulsen, a plataforma era chamada inicialmente de DeadDrop. Após a morte do programador, a ONG Freedom of the Press Foundation (FPF) adotou o projeto, renomeando de SecureDrop. Devido à complexidade da ferramenta para usuários, a ONG trabalha para facilitar seu uso, visando minimizar erros comuns que poderiam tornar a plataforma insegura.

Dentro das redações

O pesquisador Charles Berret da Columbia Journalism School publicou em março um estudo sobre o uso do SecureDrop dentro das redações de 10 organizações jornalísticas, entre elas: The Washington Post, The Intercept, The Globe and Mail e The New Yorker. Por meio de entrevistas com jornalistas que utilizam a plataforma, Berret identificou os efeitos positivos e as dificuldades encontradas na apuração dos dados.

O promissor uso da ferramenta vem da facilidade de comunicação segura e anônima entre fonte e jornalista. Há assuntos delicados que requerem total confidencialidade das informações para segurança da fonte.

                           A ferramenta é mais um canal de comunicação entre fontes e os jornais. (Logo)

Como é um sistema de compartilhamento anônimo e gratuito, uma quantidade enorme de informação inútil chega ao inbox do SecureDrop das empresas jornalísticas. São relatos falsos, vírus, pornografia, teorias da conspiração que se juntam às informações úteis que devem ser garimpadas pelos jornalistas. No Washington Post, por exemplo, uma equipe de 3 jornalistas é responsável por esse trabalho de separar o joio do trigo.

Na avaliação do estudo de Garret, o esforço dedicado à separação da informação é válido. Todos os jornalistas afirmaram ter escrito reportagens graças às dicas achadas no SecureDrop.

Pela pouca familiaridade dos jornalistas com a nova tecnologia, a FPF oferece cursos de capacitação do uso da ferramenta. Mais de 80 organizações jornalísticas ainda estão na lista de espera da FPF para instalação do SecureDrop.

Você pode encontrar o SecureDrop aqui: https://securedrop.org/

Redatores: Helena Botelho e Matheus Ferreira

Restante da equipe: Mariana Pellegrini, Yuri Ferreira, Isaac Toledo

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