Tecnologia a favor da união

Comentário referente à edição número 31 – Tecnologia e Gerações

Uma produção fragmentada é uma produção enfraquecida. Além de estar atento a detalhes intrínsecos a seu trabalho como apuração e imparcialidade, o jornalista também deve lembrar-se de trabalhar em grupo. É verdade que, no dia a dia da profissão, preocupamo-nos apenas em produzir (às pressas) o conteúdo que nos foi designado. Porém, quando se trata de um produto como uma revista, não se pode relevar o fato de que a cooperatividade só vem a acrescentar à edição, e sua ausência pode comprometer a percepção do leitor quanto ao tema.

Repórteres, produtores multimídia e editores devem trabalhar de forma que toda a edição mantenha sua coerência. É ideal que os produtores do Repórter Unesp preparem o conteúdo em conjunto, notando a produção uns dos outros, a fim de que sejam evitadas afirmações redundantes.

A trigésima primeira edição desta revista digital pecou ao cometer certas redundâncias quanto à abordagem do tema em questão – tecnologia e gerações. Ao menos cinco das reportagens e artigos se estendem em dizer que a tecnologia está em todo lugar e mudou as relações interpessoais, ao mesmo tempo conectando e desconectando pessoas.

Isso pode ser entendido pelo leitor como um sinal de desconexão da equipe. Uma sugestão é que repórteres e editores leiam sempre todo o conjunto da edição, o que evitaria a super-repetição de títulos e ideias nas reportagens.

Deve-se priorizar, além disso, a apuração. Por exemplo, não é errado afirmar que a tecnologia mudou as relações interpessoais, contanto que essa afirmação resulte de apuração. Não é sempre fácil evitar os chamados “achismos” de senso comum quando se escreve um texto. Sabemos que a objetividade total é inalcançável – mas não podemos desconsiderar que no jornalismo as evidências são tudo.

Em uma edição digital, a união da equipe não é só primordial, mas possibilita funcionalidades que liguem o conteúdo intrinsecamente. O uso de links internos, que interconectem as matérias, por exemplo, mantém o leitor preso no produto. Por que não, então, utilizar a tecnologia à favor da coesão interna do conteúdo?

Temática repetida

A congruência de conteúdo deve ser considerada desde a produção de pautas. Dos dez conteúdos desta edição, quatro tem a educação como tema chave, sendo as reportagens sobre a a infância conectada e o projeto do MEC em mapear a inovação no ensino em certos quesitos semelhantes. Os  dois artigos de opinião e o perfil, apesar de notáveis, fizeram pesar o teor opinativo na edição. No lugar desses excessos, outras angulações temáticas como os novos hábitos decorrentes da inclusão digital (comportamento multitarefa, o narcisismo nas redes sociais, as fronteiras entre público e privado) poderiam ter sido abordadas. A tendência da segunda tela e as mudanças de consumo de jovens e adultos quanto à de informação midiática é outra sugestão de tema relacionado à edição.

Cabe aos editores procurarem por angulações e temáticas que sejam diferentes e, dessa forma, interessem seu público. Esse “olhar diferenciado” chama a atenção do leitor logo na divulgação pelas redes sociais, levando-o ao clique.

Imersão multimídia

A tecnologia está à favor do jornalista. Tendo o meio digital como alicerce, o Repórter Unesp tem o uso de recursos multimídia como um de seus comprometimentos, algo explorado primorosamente na trigésima primeira edição. Como diferencial, áudios e vídeos tornaram a experiência do leitor imersiva e aprofundada, de forma que, como no caso do perfil do seu João, é possível captar um pouco da personalidade do entrevistado. O uso de tais recursos, ainda mais em uma edição sobre tecnologia, foi a escolha certa.

Ombudsman: Helena Nogueira

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