Nº 39 – 2017 | Mobilizações populares

Capa da edição - mobilizações populares

(Ana Flávia Cézar/Repórter Unesp)

No cenário atual do Brasil, toda e qualquer pessoa que possua uma conta nas redes sociais pode falar sobre política. E a temática nunca esteve tão em alta desde a onda de protestos que pedia pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

Somente 20 anos depois, em 2013, o Brasil registrou engajamento político que se comparasse aos pedidos de deposição de Collor. 20 anos e R$ 0,20 centavos. As Jornadas de Junho, como ficaram conhecidos os protestos ocorridos em junho de 2013, transformaram-se num marco da história recente do Brasil, reacendendo a participação política nacional, especialmente da juventude do país.

Após o gigante ter acordado naquele ano, as ruas não ficaram mais desocupadas por muito tempo. Protestos pedindo o fim da corrupção e o impeachment da então presidente, Dilma Rousseff, mostraram que o brasileiro redescobriu os logradouros mais famosos do país (como a Av. Paulista) como espaços a serem ocupados por manifestações de seu descontentamento. E as ruas acolheram a todos, inclusive àqueles que acreditavam que a presidente deveria continuar no poder e terminar seu mandato.

Mas mobilizar-se e ir para a rua não é novidade, ainda que apenas recentemente tenha voltado a fazer parte do cotidiano do nosso país. A luta feminina por direitos civis, políticos e sociais é uma das mais antigas do mundo e ganhou uma nova onda apenas há alguns anos, com o feminismo cibernético, espaço este agora preferido por todo e qualquer grupo que decida se manifestar na atualidade.

A comunidade LGBT também é conhecida por saber como ocupar as grandes avenidas com todas as suas cores e toda a sua linda diversidade de indivíduos, usando-as como instrumento de visibilidade e, mais recentemente, também de protesto.

Grupos marginalizados, como o MST, também possuem histórico de mobilizações e protestos no Brasil, e aproveitaram a chamada para Greve Geral Nacional de 28 de abril para reocuparem as ruas com suas reivindicações.

Convocada por movimentos e organizações trabalhistas e sindicais de todo o país, em protesto às reformas previdenciária e trabalhista propostas pelo governo Temer, a Greve Geral Nacional aconteceu em ao menos 25 estados brasileiros.

A aderência a nível nacional mostra que a insatisfação com às mudanças propostas pelo Estado não teve restrições partidárias, ainda que grupos e organizações de classes mais baixas tenham mobilizado-se em maior número.

Em Bauru, estima-se que 4 mil pessoas tenham participado da paralisação, segundo a Polícia Militar, contando co organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), CONAFER, grupos de secundaristas e civis, incluindo mulheres, crianças e idosos. Fomos às ruas saber a opinião das pessoas sobre a Greve Geral e acompanhamos a paralisação no dia 28, de forma a suprir uma lacuna percebida nas coberturas da grande mídia.

Veja os links de todas as reportagens desta edição na íntegra. Boa leitura!

Editora-chefe: Camila Nishimoto

Editor adjunto: Arthur Iassia Finati

Gestora de mídias sociais: Ana Carolina Ribeiro

NESTA EDIÇÃO:

Mobilizações populares: a história que o Brasil fez nas ruas

Jornadas de Junho marcam a volta dos brasileiros às ruas

Manifestações pró e contra impeachment fortaleceram divisão do Brasil

Mobilizações das mulheres ao longo da história: reivindicação de direitos básicos

Paradas LGBT: como as mobilizações são importantes para o movimento

Medidas do governo Temer desagradam MST e outros movimentos pela reforma agrária

Bauruenses realizam ato contra reformas trabalhista e da previdência

A greve geral na visão de dois movimentos sociais de Bauru

Leia também a crítica da edição feita pelo ombudsman, Isaac Toledo

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