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Com a popularização da internet, os relacionamentos virtuais se tornam cada dia mais comuns

Imagem: Women’s Health)

Imagem: Women’s Health

Os tempos mudaram. Há alguns anos era impossível pensar num relacionamento mantido à distância por pessoas que nunca se viram, fosse apenas uma amizade ou algo mais. Uma relação só se tornava concreta no momento em que as pessoas se encontravam e achavam que tinham algo a ver.

Mesmo que mantida à distância, via telefone ou carta, a amizade/o namoro supunha que as pessoas se conhecessem ao vivo. Namorar um desconhecido era considerado ‘coisa de louco’.

Entretanto, desde o surgimento e popularização da Internet tudo isso parece ter mudado. “A Internet trouxe algumas facilidades que podem ser encantadoras para muitos: para os tímidos pode ser mais fácil se expor; para aqueles que mudam de cidade pode ser mais fácil encontrar novos amigos; para a maioria tornou-se possível reatar antigas amizades etc” explica Paula Dely, psicóloga atuante no campo das relações entre a psicologia e a internet. Os casos de amor que se iniciaram no mundo virtual se multiplicam na rede. Facebook, Twitter, Instagram ou mesmo as boas e velhas salas de bate-papo, são várias as opções de redes sociais para rolar a primeira interação.

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Imagem: http://datingfly.com)

Imagem: datingfly.com

No mundo virtual, nomes viram “nicks”, a linguagem usada é a das abreviações e as descrições pessoais não são muito confiáveis. Porém, esse ambiente mais discreto e anônimo se mostra um grande aliado de quem é tímido e tem medo de iniciar relacionamentos cara-a-cara. O contato através da telinha dá forças para se mostrar ao outro não do jeito que se é, mas como gostaria de ser.

Arte: Camila Pasin

Na rede é possível ser bonito, desinibido, engraçado, conquistador ou qualquer outra qualidade desejada. Tudo isso levando em conta que a  outra pessoa não sabe com quem está conversando.  “Na web é possível inventar personagens, se colocar como gostaria de ser e, principalmente, estabelecer relações mais superficiais e passageiras. O risco de idealizar o parceiro e ser idealizado por ele é muito maior” comenta Paula.  O problema aparece quando essa brincadeira de “ser quem não é” se torna a única fonte de relacionamentos. É esse tipo de situação que mostra a série “Catfish” da MTV. Catfish é o termo usado para se referir as pessoas enganadas no mundo virtual, que são as personagens da série. A ideia para a produção surgiu depois de Nev Schulman, apresentador do programa, sofrer uma grande decepção amorosa ao se encontrar uma mulher com quem se relacionava virtualmente e descobrir que ela era completamente diferente das fotos e informações que ele recebia. A descoberta de Schulman foi filmada por seu irmão e virou um filme, que deu origem à série televisiva.

Talvez a magia dos relacionamentos virtuais seja a possibilidade de eles se tornarem reais. Foi o que aconteceu com a estudante Naiara Ramalho, que conheceu seu namorado norte-americano por meio do site de relacionamentos OkCupid!. “Para manter o relacionamento nos falamos todos os dias desde que nos conhecemos. Mesmo nos dias que estamos muito ocupados, pelo menos uma mensagenzinha a gente troca ao longo do dia. Nós conversamos sobre tudo, das coisas mais bobas à problemas pessoais. Não tem muito mistério, nós conversamos como dois melhores amigos” conta Naiara. “A maior dificuldade é não saber quando vai ser a próxima vez que vamos nos ver. A saudade também aperta, mas com o tempo você aprende a lidar com isso, no final nós entendemos o quanto vale a pena esperar” completa a estudante.

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Apesar dos relacionamentos virtuais ainda serem vistos como uma espécie de tabu e dos riscos que podem significar, Naiara diz que não teve muitos problemas ao conhecer pessoalmente seu affair virtual. “Minha família, apesar da dificuldade de se comunicar, adorou conhecê-lo e meus amigos se deram muito bem com ele também. No geral, a aceitação foi maravilhosa, o que chegou a me surpreender, já que pensei que iriam achar esquisito um cara do outro lado do continente surgindo ‘do nada’” disse. Quanto ao “conteúdo” das conversas virtuais, Naiara não faz rodeios: “temos liberdade pra fazer o que queremos, sem drama nenhum e sem contestações. Somos muito abertos em relação à tudo o que fazemos e temos muita confiança um no outro. De conservador, só as visões políticas dele”.

Reportagem: Isabela Romitelli

Produção: Isabela Romitelli

Edição: Camila Pasin

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