Nº 40 – 2017 | Maternidade

As Três Idades da Mulher, de Gustav Klimt, 1905, Galleria Nazionale d’Arte Moderna. Quadro em domínio público disponível em Wikicommons, cortado e editado

O Dia das Mães é o grandioso dia comercial que comemora aquilo que temos de mais precioso na vida: a mulher que nos deu a luz. E no dia dela, deve-se postar foto nas redes sociais e mostrar como a mulher da sua vida é bonita, de personalidade única, que te ama incondicionalmente e que é a “melhor do mundo”.

Comercialmente falando, a data comemorativa se destaca no primeiro semestre do ano e fica apenas atrás do Natal quando se fala de vendas e faturamento durante o ano todo. Na teoria, a maternidade é um conto de fadas e é o que torna uma mulher feliz e realizada. Parece um comercial de TV ou um filme que tem um final feliz. E a expectativa é essa, o que nos é mostrado é isso.

O lado B é outra história. Antes de tudo, ninguém pergunta para a mulher se ela quer ser mãe, a sociedade simplesmente impõe a maternidade. E, após entrar na condição de mãe, o que acontece se a mulher não sente o prazer e a completa felicidade que deveria? Ser mãe também é sentir dor, é ter frustrações, abdicar da vida pessoal e profissional, é ser humana!

A rotina da mulher que trabalha e tem filho é intensa. A Organização Internacional do trabalho, OIT, tinha como finalidade proteger a mulher no mercado de trabalho e diminuir a desigualdade de gênero. Quando foi criada, a OIT garantia, através de leis, que mulheres e crianças não trabalhassem durante a noite. A legislação foi atualizada conforme os anos e chegou ao que hoje chamamos de licença maternidade.

Mesmo com essa proteção, diariamente mulheres trabalham, cuidam dos filhos, limpam a casa e preparam as refeições, claramente fazendo a jornada dupla de trabalho. Tanto é que trabalham um total de 7,5 horas a mais que homens por semana. A situação se agrava quando adolescentes passam pela a experiência da gravidez, e o tempo também tem que ser dividido com os estudos.

Mesmo quando o desejo é se tornar mãe, durante o processo de adoção podem ocorrer muitas dificuldades. No Brasil, estão registradas mais de 7 mil crianças em instituições de abrigo e apenas 5 mil para serem adotadas.

A televisão não desmistifica a beleza da maternidade, não diz para a sociedade que o surto da microcefalia, tão discutido nos jornais, atinge principalmente mulheres de classes mais baixas, e essas estão mais suscetíveis a terem uma gravidez em situação de risco. Também não retrata a mulher que rejeitou o bebê quando nasceu, pois foi diagnosticada com depressão pós-parto.

A 40ª edição do Repórter Unesp busca abordar esses temas ocultados e apresentar os desafios de uma maternidade omitida pela mídia, publicidade e sociedade.

Acompanhe as reportagens na íntegra. Boa leitura!

Editora-chefe: Ariádne Mussato

Editor adjunto: Matheus Fernandes

Gestora de mídias sociais: Thais Santiago

Nesta edição:

OPINIÃO |  Dia das mães: uma tradição que se recusa a mudar

Maternidade compulsória e a escolha da mulher

Os desafios da maternidade em situação de vulnerabilidade

A construção do futuro de adolescentes que se tornam mães

A gestação e a microcefalia: a intermitente relação entre mães e a doença

Depressão pós-parto: um lado obscuro da maternidade

A realidade dos processos de adoção no Brasil

Gravidez e licença maternidade: os desafios da mulher no mercado de trabalho

Maternidade é marcada por injustiças sociais e jornada dupla de trabalho

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