Nº 37 – 2017: O impacto do consumo

Há mais ou menos 160 mil anos atrás, durante o período Paleolítico, o ancestral mais próximo da raça humana surgia sobre o planeta: o Homo sapiens. Este ser vivo era nômade e vivia da caça de animais para ter a pele para se proteger do frio e a carne para se alimentar e da coleta de frutos, logo, tudo aquilo que consumia era voltado para a sua sobrevivência.

No período Neolítico, cerca de 10 mil anos atrás, o Homo sapiens sai da condição de nômade para a de sedentário. Ele passa a viver e a cultivar seus alimentos (agricultura) em um só lugar. A partir disso, a posse da terra se torna o bem mais valioso para a existência e prosperidade de um povo.

Mudança

Tendo como referência a Europa como berço da civilização ocidental moderna, a ideia de que a posse da terra representava o principal bem do ser humano permeou a humanidade até o século XVIII. Possuir grandes extensões de terra. Isso garantia prestígio e poder entre a nobreza europeia.

Os senhores de grandes porções de terra permitiam que camponeses morassem e cultivassem em seus territórios desde que parte de sua produção fosse entregue como pagamento pelo uso desta terra e que trabalhassem no espaço de terra exclusivo deste senhor.

Contudo, esse lógica começa a mudar a partir de 1760 com a chamada Revolução Industrial. Ocorrida na Inglaterra, este momento histórico marca a transição para o capitalismo. A terra ganha um novo significado, torna-se um bem de produção para as indústrias. Então, para garantir a produção são instituídas as Leis de Cercamento. A nobreza rural inglesa cerca e arrenda suas terras para criação de ovelhas e expulsa os camponeses que se vêem obrigados a migrar para as cidades. Dessa forma, os industriais da época adquirem mão-de-obra barata para trabalhar nas fábricas e um aumento em seu mercado consumidor.

Em 1789, ocorre a Revolução Francesa. Liderada pela burguesia local, um dos ideais disseminados foi o de que qualquer indivíduo poderia enriquecer por meio do trabalho e assim adquirir bens que permitissem a ascensão social.

A partir disso, a lógica de consumo é alterada. Consumir não está somente ligado a uma necessidade biológica de sobrevivência O que antes era sinônimo de subsistência ganha um sentido material. É preciso consumir bens materiais para ser aceito na sociedade.

Atualmente

O ato de consumir está intimamente ligado com a identidade do indivíduo e sua aceitação ou não no grupo social ao qual pertence ou quer pertencer e principalmente, se esse indivíduo está de acordo com o que é imposto na sociedade como padrão a ser seguido.

No livro 44 cartas do mundo líquido moderno, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês falecido no último dia 9, trata na carta de número 17, como o consumismo tem afetado a sociedade. Para ele “o consumismo é um produto social, e não o veredicto inegociável da evolução biológica… o consumismo tem o significado de transformar seres humanos em consumidores e rebaixar todos os outros aspectos a um plano inferior”.

Logo, antes de tudo somos consumidores de bens materiais e não seres vivos com necessidades biológicas para serem supridas.

Em entrevista ao jornal espanhol EL País, o Papa Francisco declarou que uma de suas maiores preocupações em relação ao mundo é “a desproporção econômica: que um pequeno grupo da humanidade tenha mais de 80% da riqueza, isso significa na economia líquida que no centro do sistema econômico está o Deus dinheiro e não o homem, a mulher, o humano!”

O Papa complementa dizendo que “assim, cria-se essa cultura de que tudo é descartável.”

Os pontos de vista citados nos permitem refletir sobre algumas questões:

Tudo que consumimos é essencial para nossa vida?

Como são tratados pela sociedade e como vivem aqueles que têm uma renda mínima e não podem consumir desenfreadamente?

Como o descarte cada vez maior e mais rápido dos produtos afeta o nosso planeta?

Nessa edição de número 37 do Repórter Unesp, tentaremos responder a essas questões mostrando como o consumo impacta nossas vidas, relações interpessoais e a sociedade em que vivemos.

Editor-chefe: Isaac dos Santos Toledo

Editora-adjunto: Luana Brigo

Gestora de Mídias Sociais: Nathane Agostini

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