Tamanho das famílias: Qual é o padrão brasileiro?

O Brasil possui uma grande diversidade no tamanho das famílias. Se você acompanha a programação brasileira, possivelmente já assistiu a série popularmente conhecida como “A Grande Família”, que expõe com clareza esse cenário. O enredo gira em torno do cotidiano da família Silva, fugindo dos padrões, é constituída pelo pai, a mãe, dois filhos, o genro e o neto, contando com a participação de outros parentes. Assim, com cenas divertidas, é narrado como eles lidam com suas diferenças e a ocorrência de frequentes conflitos.

Com o decorrer dos anos, a formação e o tamanho das famílias no Brasil passou por modificações. Se antes ter muitos filhos era comum, no cenário atual, segundo as pesquisas, a realidade pode ser diversa. Muitas famílias optam por adotar e não ter filhos biológicos, ou até mesmo não ter nenhuma criança. 

O cenário brasileiro e o tamanho das famílias

O estudo Situação da População Mundial, que é realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa-ONU),  revelou uma alteração na média de filhos nas famílias brasileiras. Em 1960, a média era de 6 filhos por mulher. Atualmente esse número caiu para 1,77. Desse modo, estando abaixo da  média da América Latina e do mundo que é, respectivamente, 2 e 2,5 filhos.

De acordo com a Projeção da População, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse índice poderá mudar ainda mais. Em 2060, 25% dos brasileiros, terão mais de 65 anos o que, consequentemente, vai refletir nas taxas de fecundidade. Assim, diminuindo para 1,66 o número de médio de filhos por mulher. Além disso, o número populacional do país crescerá até 2047, entretanto sofrerá uma queda, indo de 233,2 milhões para 228,3 milhões de pessoas.

A liberdade de escolha 

O movimento “Childfree”, traduzido como “livre de crianças”, surgiu em 1980 nos Estados Unidos e no Canadá. O objetivo do grupo é unir pessoas contrárias à cultura hegemônica que discrimina quem opta por não ter filhos.

A diferença entre o “Childfree” e o “Antinatalismo” é que o segundo acredita em um valor negativo à existência humana, por questões ambientais e por poupar o sofrimento da criança e dos animais. Entretanto, os antinatalistas podem optar pela adoção. 

A página brasileira “Somos Childfree” nasceu em 2015 e atualmente possui mais de 200 mil curtidas no Facebook e 2.000 mil seguidores no Instagram. De acordo a autora, Ana Carolina Guimarães, 28, a ideia surgiu com o objetivo de criar um espaço sem censura para que tanto homens quanto mulheres pudessem comentar e interagir e não se sentissem discriminados pelas suas decisões.

“Outras páginas costumam desprezar os seguidores, caso eles comentem algo que diverge das opiniões dos seus moderadores. Assim, a partir disso, muitas pessoas abandonaram essas páginas e migraram para a minha, em que faço memes que envolvam a escolha de não ter filhos e as suas vantagens.” 

A página tem mais de 200 mil curtidas no Facebook e 2.000 mil seguidores no Instagram (Foto: Reprodução/ Repórter Unesp)

Para Ana,  decidir não ter filhos é pensar em si mesma, entretanto sem ser egocêntrica.  “Decidi não ter filhos por observar as dinâmicas familiares, é difícil achar um lar em que todos estejam em harmonia. Também não me vejo cuidando de crianças, não levo jeito e não tenho paciência. Assim, quero priorizar minha vida financeira e viajar. Além disso, viver uma velhice tranquila, quem sabe até um dia ir morar num condomínio exclusivo para a terceira idade. Essa história de ter filhos para assegurar cuidados depois de velho é passado, é um pensamento egoísta e extremamente narcisista.”

As grandes famílias

Entretanto, existem pessoas que vão na contramão das estatísticas, como a fisioterapeuta Claudia Renção, 39, mãe de Alice, Miguel e Olívia. Após um procedimento de fertilização, ela foi surpreendida ao receber a notícia que seria mãe de trigêmeos. 

“Sabíamos do risco, devido à inseminação e sempre quis ser mãe de gêmeos, mas trigêmeos, nunca passou pela minha cabeça. Foi um grande susto na hora, mas depois já não me via sem um deles.” 

Por recomendação médica, ela precisou ficar de repouso durante toda a gravidez, sem poder fazer grandes esforços ou voltar a trabalhar. Então, o marido de Claudia, Bruno Bueno, 35, sugeriu que ela criasse uma página para contar sobre  dia a dia da gravidez e, posteriormente, dos bebês. Assim, nasceu a “Mãe de trigêmeos” no Facebook e no Instagram.

Foto: arquivo pessoal Claudia Renção/ Reprodução autorizada (Arte: Laura Kerche/Repórter Unesp)

Já para o jogador de basquete, Murilo Becker, 36, a surpresa foi tanta, que ele acabou esquecendo que tinha que ir para o clube treinar. 

“Nós vimos 3 bolinhas e já imaginamos que eram trigêmeos. Depois passaram alguns meses, com uma sequência de sangramentos, nós fomos fazer uma ultrassom 4D, para ver como as crianças realmente estavam, por conta da gestação. No ultrassom, eu vi mais uma cabeça e perguntei para a médica e ela confirmou que eram quadrigêmeos. Eu assustei muito com os trigêmeos, eu falei ‘Meu Deus’, mas quando vieram os quadrigêmeos, pensei ‘Ah mais 1, vamos embora’, foi até motivo de risada. Esqueci de treinar no dia, voltei para casa, quando cheguei, lembrei do treino. Então, voltei para o ginásio e falei ‘Olha, desculpa, nem lembrei do treino, tem uma gestação de quadrigêmeos vindo aí’, acabou o treino na hora e a galera ficou me sacaneando, dando risada.”

O padrão das famílias é não ter tamanho ideal

Não é só as pessoas que decidem não ter filhos que sofrem pela preconceito e com os julgamentos da sociedade. De acordo com uma pesquisa de mercado do Mind Miners, 47% das mães já foram rejeitadas por isso ou por terem interesse em ter uma gestação. Segundo a fisioterapeuta, algumas pessoas a questionam sobre o número de filhos, mas ela sente orgulho.

“Julgamento sempre vai haver, principalmente se for acima de 3 (filhos), mas depende de como cada um vai lidar. Quando me falam ‘Nossa você tem trigêmeos?’ e começam a me questionar, respondo: ‘Se Deus nos mandou, eu sei que dou conta’, esse sempre foi meu pensamento depois do susto. Profissionalmente, eu até sinto orgulho, porque sempre me perguntam como dou conta e que me admiram por ter retomado minha profissão”

Foto: arquivo pessoal Murilo Becker/ Reprodução autorizada  (Arte: Laura Kerche/Repórter Unesp)

Por apresentarem graus diferentes de Paralisia Cerebral (PC), os filhos do jogador, frequentam a fisioterapia todos os dias, tendo uma rotina corrida entre a escola e o tratamento. Questionado sobre os seus sonhos para o futuro, Murilo conta o desejo que tem para os filhos. “Sonho ver algum filho disputando a paraolimpíada e vejo isso muito próximo. Vou lutar por isso e dar todo o suporte, claro que hoje eles são bem novinhos, com 5 anos, mas em breve pretendo colocar em algum esporte, para que eles possam lá na frente representar o Brasil.”

Quem saber mais sobre o tamanho das famílias, suas variadas formações,  diferenças e costumes? Fique ligado na edição 57 do Repórter Unesp

 

Repórter: Bruna Carla Sciarini
Produtor de Mídia: Laura Lima Kerche
Editor: Fellipe de Souza Gualberto Leite

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