Reconhecimento internacional do skate incentiva prática da modalidade

Comitê Olímpico Internacional aprova o esporte como nova modalidade para 2020

A necessidade de existir uma prancha de surf para o asfalto fez com que surgisse o skate na década de 1960. Tudo começou quando surfistas precisavam de diversão nos dias de ondas fracas. A solução foi colocar rodinhas em uma prancha de madeira, que posteriormente foi chamada de shape.

“Shape” surge como uma alternativa para os surfistas, que agora podiam surfar no asfalto. (Foto: Caroline Oréfice)

A partir disso, o esporte foi ganhando espaço na cena urbana e, nesse meio tempo, conquistando adeptos. Mesmo sendo vista pela sociedade com certo preconceito e julgamento, a modalidade alcançou importância mundial e reúne, hoje, mais de 80 atletas para os jogos olímpicos.

Em 3 de agosto de 2016, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou a adição de cinco esportes para as Olimpíadas de Tóquio e, dentre eles, encontra-se o skate. O skateboard como competição será dividido em duas categorias, o street e o park, e disputado tanto no masculino quanto no feminino.

O Brasil é bem representado nesta modalidade e, atualmente, conta com grandes nomes na cena. Além de possuir personalidades como Sandro Dias e Bob Burnquist, a potência ainda possui Letícia Bufoni, Karen Johz, que é tetracampeã mundial e Pedro Barros, hexacampeão dos X Games.

Os X Games acontecem duas vezes por ano, no verão e no inverno, e são como as olimpíadas dos esportes radicais (Infográfico: Carol Oréfice)

Sem limites na prancha de quatro rodas

A cidade de Bauru abre espaço para o crescimento da modalidade, não apenas com a criação de pistas de skate, mas também com projetos sociais envolvendo o esporte. Dentre estas iniciativas, encontra-se a ONG Wise Madness, que atende comunidades carentes, ressocializando a partir dos esportes radicais.

Além disso, a modalidade é vista como incentivo profissional para as crianças envolvidas na ONG. O local é aberto para o público às segundas e quartas-feiras, das 19h30min às 22h.

Bauru tem uma forte cena skatista que vem sendo fortalecida pelo apoio da “velha guarda” e dos novatos. O grande diferencial do skate bauruense são os próprios skatistas, que têm papel de destaque na manutenção e limpeza da pista.

A vida de um profissional da área

O profissional Wolnei dos Santos, 39, anda de skate há 30 anos. “O primeiro campeonato que eu participei, fiquei em primeiro lugar. Com o tempo, ganhei uma passagem para disputar no Canadá, fui campeão paulista amador duas vezes e depois passei para o profissional”, afirma.

Desde então, sua vida girou em torno do esporte. Hoje, após anos atuando como skatista profissional, conta as dificuldades que já passou até conquistar estabilidade na carreira:

As problemáticas eram ainda maiores devido à falta de incentivo que o esporte tinha na época em que começou. Embora a cidade de Bauru tenha um histórico de grandes nomes da cena, a prefeitura ainda falha no fomento desta modalidade. “Nem pista tinha. Demorou vinte anos, desde que a gente foi na prefeitura para sair essa pista. Eu lembro que eu chegava nas rampas e tinha que improvisar de qualquer jeito”, relembra o esportista.

O preconceito que o esporte sofre no cenário nacional influencia para que a sociedade não busque promover a atividade. “Aqui no Brasil a galera ainda não entende, fala que é vagabundo. Quando eu falo que sou skatista profissional a galera fala ‘mas e aí, você só faz isso?’. Como se fosse super fácil, trabalho árduo e a galera não entende que isso é uma profissão”, acrescenta Wolnei.

Como funciona o skate e quais são suas modalidades?

Um equipamento tão pequeno e simples pode gerar diferentes manobras. Não à toa essa criatividade gerou diversas modalidade, dentre elas: Street, freestyle, downhill, big air – mega rampa, bowl, mini rampa, park e longboard são as mais conhecidas.

Segundo Wolnei dos Santos, as modalidades principais são o “street, que é de rua e tem mais praticantes. Depois tem o vertical, que é aquela rampa que os caras ficam voando. Tem também o freestyle, que é o skate menor, que os caras fazem manobras. E tem o downhill slide, que é descer ladeira derrapando”.

Embora estas sejam as principais categorias, o skate abrange mais modalidades (Infográfico: Carol Oréfice)

Quero praticar, como começo?

A dica de ouro para começar a prática do skate é não ter medo. A maior parte das manobras iniciais não exige força, mas equilíbrio e aceitar alguns riscos. Não esquecer dos equipamentos de proteção é de suma importância para os novatos da atividade.

O skatista profissional Wolnei dos Santos também deixa alguns conselhos para aqueles que buscam viver deste esporte. “Minha recomendação é você andar bastante, filmar bastante na rua e ficar participando de bastante evento, estar sempre aparecendo”.

Além disso, é interessante sempre buscar novas referências da área. O Brasil conta com Bob Burnquist e Sandro Dias como alguns dos nomes mais famosos. Bauru não fica para trás, a cidade tem grandes esportistas reconhecidos no cenário profissional, como Wolnei dos Santos e Leo Giacon.

 

Repórter: Caroline Oréfice

Produção multimídia: Lara Ignezli 

Editora: Júlia Belioglo

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