Equipes bauruenses difundem o rugby na cidade

Da Rugby School ao Vitória Régia: Conheça o rugby e duas equipes bauruenses que tentam popularizar o jogo no país do futebol

O rugby é um esporte cuja origem não se conhece ao certo. Diz a lenda que o jogo surgiu a partir de uma brincadeira feita em 1823 pelo estudante britânico da Rugby School – daí o nome do esporte – William Webb Ellis. Ellis estaria assistindo uma partida de futebol e, entediado com o que via, agarrou a bola com as mãos e correu pelo campo. Isso fez com que os jogadores o perseguissem e o tentassem derrubar a todo custo.

A partir daí, o esporte cresceu a ponto de atingir proporções mundiais. Desde 1987, o rugby conta com uma Copa do Mundo, que é disputada de quatro em quatro anos. Curiosamente, a taça da Copa – levantada 4 vezes pela Nova Zelândia, a maior campeã – leva o nome de Webb Ellis. O rugby também possui participações nos Jogos Olímpicos, estando presente nas Olimpíadas de 1900 até 1924. Em 2016, o Rugby Sevens – modalidade com equipes de 7 jogadores –  voltou a fazer parte dos jogos.

Estátua de Webb Ellis na Rugby School. (Foto: Reprodução)

A bola oval no país da bola redonda

No Brasil, o primeiro registro do rugby data de 1875, com a tentativa de organização de um time. Porém, foi somente em 1888, treze anos depois, que houve a primeira disputa do esporte no país, realizada no São Paulo Athletic Club. Somente em 1895 o clube contou com a própria equipe de rugby, criada com a ajuda de Charles Miller.

O país conta com a Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), que opera nos moldes atuais desde o ano de 2010. De acordo com o site oficial da CBRu, há seis federações estaduais ligadas à confederação. Elas estão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e nos três estados da Região Sul. Há cerca de 11 mil atletas federados e mais de 60 mil praticantes de rugby em todo o país.

O rugby praticado em Bauru

A cidade de Bauru também figura no cenário nacional. No município, equipes amadoras ajudam a difundir o esporte em âmbito regional. Uma delas é o Chupa Cabras Rugby Bauru, equipe masculina da categoria Rugby Sevens. Formado em 2014, o time era chamado Rugby Unesp Bauru, mas não tinha nenhum vínculo direto com a universidade. Devido a essa ausência de vínculo, o time adotou o nome de Chupa Cabras no ano de 2017.

Fundado em 2014, o Chupa Cabras Rugby Bauru é um dos times que atua na cidade. (Foto: Maria Chade)

Vitor Iapequino, jogador do Chupa Cabras desde o ano da mudança de nome, conta que os fundadores da equipe eram alunos da universidade. Como já existiam times de rugby ativos na cidade, carregar o nome da Unesp era algo que unia todos os membros. “ Com o tempo, percebemos que manter o time restrito ao âmbito da universidade não estava contribuindo para o avanço dele como instituição”, diz.

Embora a maioria dos jogadores sejam estudantes, as competições disputadas pela equipe não possuem relação com o âmbito universitário. Por isso, segundo Iapequino, a melhor escolha para o time era se desvincular da Unesp e construir um vínculo com a cidade em si.

O Chupa Cabras Rugby Bauru em campo. (Foto: Maria Chade)

As mulheres também jogam

Em Bauru, há também times femininos praticantes do rugby. O exemplo disso é o Kamayurá Rugby Bauru, equipe que iniciou suas atividades em 2016 com treinos no Parque Vitória Régia. Assim como o Chupa Cabras, o Kamayurá é uma equipe amadora. Além dos treinos, o time se concentra em disputar competições amadoras, dentre elas a LOPaR – Liga do Oeste Paulista de Rugby – e outras, como a LTR – Liga Triângulo de Rugby – , disputada em Minas Gerais.

Apesar de ainda pequeno, o Kamayurá tem sonhos grandes. De acordo com Carolina Bonetti, jogadora do time desde o ano de sua fundação, a meta da equipe é se tornar federada e disputar competições maiores. Dessa maneira, o Kamayurá abandonaria o status de time amador.

Para além do lado competitivo, a equipe bauruense também tem outras ambições. Elas envolvem a difusão do esporte na comunidade local e, sobretudo, dos valores cultivados pelo rugby. “[Queremos] levar o rugby para a comunidade num todo, porque sabemos que o esporte traz uma visão diferente de como as coisas devem ser, principalmente pelos seus pilares”, explica Carolina.

O rugby, apesar de ser um esporte de muito contato físico, passa longe de ser um jogo violento. O que comprova isso é o fato de o esporte ter como pilares uma série de valores.  O coletivismo, o respeito ao adversário e a solidariedade são incentivados entre os jogadores.

Desafios na manutenção dos times

Manter uma equipe de esportes amadora de maneira independente não é tarefa fácil. De acordo com Iapequino, o que mantém as equipes funcionando é o esforço – e a paixão – de seus membros, que fazem isso “compondo treinos, organizando campeonatos ao manter comunicação com outros times e criando estratégias de arrecadação de fundos e ajuda de custos”.

Para Carolina, um dos maiores obstáculos para o Kamayurá é a falta de visibilidade do esporte: “Acredito que por ser um esporte diferente do que vemos hoje em dia, como futebol, basquete e natação, o rugby não ganha muita visibilidade”, afirma a jogadora. Ela também acredita que falta divulgação do jogo na cidade, o que implica em outra dificuldade enfrentada pelo time: a falta de jogadoras.

Segundo Carolina, a ausência de quórum não apenas atrapalha os treinos, mas também a organização de competições, como o 1º Bauru Sevens Feminino. O torneio, organizado pelo Kamayurá, foi disputado na FIB de Bauru em 2017. Desde então, a equipe não conseguiu organizar outra edição do campeonato justamente pela falta de atletas.

A busca por novos atletas

Atualmente, o Kamayurá concentra seus esforços na busca por novas jogadoras. De acordo com Carolina, redes sociais como o facebook e o Instagram são armas importantes nessa busca. Foi pela sua página do facebook que a equipe anunciou o retorno às atividades, bem como a busca por atletas. O time também conta com outras maneiras para despertar o interesse da comunidade no rugby. “Nossa meta agora é proporcionar oficinas de rugby para todos os públicos e visitar as universidades para expandir nosso quadro de atletas”, diz Carolina sobre os planos do Kamayurá.

Assim como a equipe feminina, o Chupa Cabras não deixa de procurar por novos membros. É comum encontrar cartazes do time pelos corredores da Unesp convidando potenciais novos jogadores para os treinos, realizados na Praça Flamboyant. As oficinas de rugby que fazem parte do planejamento do Kamayurá já são realizadas pelo Chupa Cabras. Nelas, os jogadores apresentam o esporte de forma lúdica e descomplicada para os participantes.

O Chupa Cabras também marca presença nas redes sociais. De acordo com Iapequino, é através delas que o time busca obter maior visibilidade e engajamento da comunidade local. A estratégia de divulgação tem funcionado em atrair “curiosos” para a prática do rugby. “A procura vem crescendo nos últimos meses. Muitos dos membros do time começaram como simples curiosos procurando por algum esporte viável a nossa rotina cheia”, revela Vitor. 

Conheça as regras

Por ser um esporte pouco popular no Brasil, muitos desconhecem as regras do Ruby. Confira no infográfico abaixo as regras do esporte:

Jogue rugby você também!

Para os interessados em praticar o esporte, mais informações podem ser encontradas nas páginas do  Kamayurá e do Chupa Cabras . Não é necessário experiência prévia com o rugby para participar dos treinos.

Repórter: Victor Barreto

Produção multimídia:  Lara Ignezli

Edição: Júlia Belioglo

One thought on “Equipes bauruenses difundem o rugby na cidade”

  1. Lauro says:

    A difusão de novas práticas esportivas, além de formar novos grupos de atletas, forma uma classe privilegiada em manter-se em forma física.

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