Atletas paralímpicos disputam Torneio Regional de Natação

Evento foi sediado na ABDA com 230 competidores buscando índices para campeonatos estadual e nacional

O Torneio Regional de Paranatação foi sediado na arena da Associação Bauruense de Desportes Aquáticos (ABDA) no dia 14 de abril. No total, 230 atletas de nove entidades da região entraram na água. A disputa é organizada pela Federação Aquática Paulista (FAP), que regula as competições de natação no Estado de São Paulo. Os participantes são avaliados por uma comissão, a fim de conseguirem índices para participarem dos campeonatos estaduais e nacionais.

No Brasil, a modalidade é administrada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e as baterias de provas são separadas de acordo com o grau e o tipo de deficiência dos atletas. Segundo a treinadora paradesportiva Rayssa Cappelin, “são as chamadas classes, elas vão da menos funcional para a mais funcional. Por exemplo, de S1 a S10 são para nadadores com deficiências físicas ou motoras. De S11 a S13 são os deficientes visuais, começando pela cegueira total até a baixa visão. A S14 são os deficientes intelectuais”, explica.

As adaptações são feitas tanto nas largadas quanto nas viradas e chegadas das provas. Os nadadores podem receber o auxílio do instrutor para se posicionarem. No caso dos atletas de classes mais baixas, aqueles com menor mobilidade, a saída pode ser feita diretamente na água. Os cegos recebem um aviso por meio do bastão com ponta de espuma quando estão se aproximando das bordas da piscina.

Glauciene Ribeiro, 50, é atleta da classe S6. Desenvolveu Porfiria Intermitente Aguda aos 30 anos após um procedimento cirúrgico. A patologia afeta todo o sistema nervoso periférico, levando à perda muscular e motora. Glauciene conta que sempre gostou do meio esportivo e que já foi atleta de saltos ornamentais. Hoje, a natação é o esporte que a ajuda a vencer todos os dias.

No Torneio, Glauciene ficou em primeiro lugar nas provas de 50 metros livre e 100 metros livre, com tempos de 38 segundos e 1 min 26s, respectivamente. Na prova de 200 metros medley, ficou em segundo lugar, com 4min 36s.

Bruno Ribeiro, de 13 anos, seguiu o exemplo da mãe, Glauciene. Após ser diagnosticado com autismo, o jovem encontrou na modalidade a superação. Hoje, Bruno treina para conseguir bater seu recorde e comenta, empolgado: “fiz 2 minutos e 23 segundos”. O resultado rendeu o primeiro lugar na categoria 200 metros livre pela classe S14.

Kátia Rodrigues é mãe do Miguel, de 12 anos. Ela conta que o filho nasceu com fenda de palato e foi diagnosticado com a Síndrome de Pierre Robin, uma alteração que provoca a diminuição da mandíbula e o recuo do queixo. Miguel também tem um encurtamento dos nervos, o que torna a prática de atividades físicas essencial.

Miguel competiu na prova de 50 metros livre, alcançou 1min e 8s, mas o seu resultado está em observação pela FAP.  No total, 26 paratletas participaram representando a ABDA no Torneio, conquistaram 36 melhores tempos e alcançaram seis índices para a etapa nacional.  

Trocando em números

De acordo com o último censo do IBGE (2010), o Brasil possui 45 milhões de pessoas com deficiência, o que representa 24% da população nacional. Em Bauru,  97 mil pessoas possuem algum tipo de deficiência em diferentes graus. Dessas, mais de três mil possuem graus severos e não conseguem ver, ouvir ou se locomover de modo algum. 

O censo do IBGE não aponta quantos deficientes estão economicamente ativos ou praticam algum tipo de paradesporto. Foto: Heloísa Manduca.

Em 2016, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei 60/2016, de autoria do vereador Fábio Manfrinato (PP), para a criação do Programa Censo Demográfico de Inclusão. O objetivo é fazer um mapeamento de quatro em quatro anos para identificar o perfil socioeconômico, tipo e grau das pessoas com deficiência por região do município bauruense. Dessa forma, o projeto prevê o melhor direcionamento das políticas públicas.

Questionado, a assessoria do vereador informou que há dificuldade para compilar e armazenar todos os dados. E que, talvez, uma alternativa seja o cruzamento dos cadastros existentes nas Secretarias Municipais, Unidades de Saúde, entidades e associações do município. No entanto, a alternativa ainda está em análise.

Financiamento público

Em 2017, a Comissão de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, juntamente com o Conselho Municipal de Esportes (CME), investiram cerca de R$718 mil em 20 projetos esportivos da cidade. A previsão para 2019 era de que a verba dobrasse para R$ 1,5 mi. Porém, somente R$ 800 mil foram investidos em 30 projetos, incluindo os paradesportos.

Destinação do Fundo de Desenvolvimento Esportivo para o ano de 2019. Infográfico: Heloisa Manduca.

O diretor de práticas esportivas e conselheiro do Fundo, João Marcos Duarte, informou que o paradesporto recebeu um incentivo de 12,5% da verba total. “A divisão é executada de acordo com os critérios de chamamento público. O paradesporto recebeu R$ 100 mil  que seriam divididos em seis projetos. No entanto, a procura de entidades e projetos constituídas por CNPJ e estatuto foram de somente três, faltando a participação das atividades na área”, explicou.

O dinheiro do fundo pode ser utilizado para viagens, alimentação, pagamentos de taxa de inscrição ou arbitragem, além da aquisição de materiais, mas não pode custear pagamentos de funcionários, aluguéis e impostos. O Conselho fica responsável por fiscalizar a destinação correta do benefício.

No chamamento público (procedimento para selecionar as entidades que terão convênio ou contrato de repasse), a Secretaria não divulgou quais foram as modalidades contempladas pelo investimento.

Texto e fotografia: Heloísa Manduca

Produção multimídia: Amanda Melo

Editora: Daiane Tadeu

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