Alunos de jornalismo da Unesp Bauru carregam a tradição do ensino crítico e com consciência social

A formação de profissionais da comunicação exige métodos, conteúdos e organização que priorizem o papel social desse ofício. No curso de jornalismo da Unesp Bauru a formação humana, crítica e filosófica tradicionalmente tem papel maior do que a tecnicista. É esta bagagem que os repórteres da edição 53 colocam em prática em suas matérias comemorativas do 35º aniversário do curso.

Para formar as críticas necessárias à revista, me coloco no lugar dos leitores. A análise dos textos foi feita com olhar externo a quem acompanhou as discussões e o processo de produção das matérias. Desde local, pratiquei o exercício de apontar as lacunas que deveriam ser preenchidas na perspectiva de quem não conhece o curso em Bauru.

Desta forma, a edição 53 do Repórter Unesp cumpriu com o objetivo de apresentar o curso de jornalismo. As matérias trouxeram ângulos e informações imprescindíveis para o leitor que busca conhecer os prós e contras desta faculdade. Reportagens como Projetos de extensão: alunos levam conhecimento até a comunidade e Jornalistas formados na Unesp se destacam no mercado de trabalho, são exemplos que mostram a realidade das atividades desenvolvidas graças a esta graduação.

Critérios técnicos

Os critérios usados na avaliação das reportagens foram, número e qualidade de fontes, gramática, noticiabilidade e experiência da equipe, levando em conta que todos estão no penúltimo semestre da graduação.

Nesta perspectiva, as reportagens cumprem com os esperado. Foram identificados vários critérios de noticiabilidade que configuram a edição como relevante, interessante, curiosa e de interesse público. Além disso, a ordem entre as matérias possibilitou uma narrativa cadenciada, contou uma história com começo, meio e fim, fator que fez com que a leitura fosse fluida.

Um fator que me incomodou bastante foi a repetição de informações. O número de jornalistas formados no curso é colocado em diversas matérias, inclusive no editorial. Como os repórteres não têm acesso aos textos dos colegas, evitar essa exaustiva recorrência era dever do triunvirato. Assim como a repetição de fontes que ocorreu.

Como aluna do curso de jornalismo da Unesp, e público alvo da revista, senti falta da presença do corpo docente nas reportagens. Nos departamentos de Comunicação Social e de Ciências Humanas, aos quais a maioria dos professores do curso pertencem, temos figuras icônicas que há anos lecionam diversas matérias importantes para a formação dos novos jornalistas. Creio que a ausência das histórias desses mestres fez muita falta, logo que, suas memórias e narrativas ímpares acrescentariam pontos de vista curiosos , divertidos e emocionantes, aspectos que também não estiveram muito presentes nesta edição.

Na questão imagética houve a repetição de fotos de capa que transmitiam o mesmo conceito. Três fotos em sequência muito parecidas. Foi possível identificar, também, a ausência de imagens que ilustram as salas de aula, laboratórios e demais locais de convivência dos alunos e professores de jornalismo. Essa demanda é necessária pois não há fotos destes ambientes em outros portais. Para uma edição que pretendia apresentar o curso, faltou os espaços físicos, tão importantes e característicos do campus bauruense. As possibilidades de explorar os locais e atividades da Unesp eram enormes, esse material poderia substituir as imagens de bancos de dados que foram utilizadas.

A edição 53 se diferencia de todas as demais revistas do Repórter Unesp por ser um produto com o qual toda a equipe tinha contato direto. As pautas foram baseadas em assuntos cotidianos da graduação, diante disso, imaginei que as reportagens teriam tom mais ácido e as discussões seriam mais desenvolvidas e colocadas sobre uma ótica crítica. Há matérias com potencial para levar ao leitor a realidade econômica e de sucateamento do ensino superior público, contudo, se restringe apenas a apresentação rasa da problemática.

Relevância da edição

A edição especial de comemoração da única graduação pública de jornalismo do interior paulista, carrega o peso da tradição construída nesses 35 anos de existência. Voltada para os jovens vestibulandos que procuram conhecer a profissão e o curso, para os alunos já matriculados, para os egressos e para o corpo docente, a webrevista destaca-se como um guia único.

Esse compilado de histórias e informações não é encontrado em nenhum outro local. Foi produzido para celebrar e eternizar o curso que há tanto tempo forma profissionais de tamanha importância na sociedade. Em época de fake news e deslegitimação dos jornalistas, mostrar o nosso trabalho é um ato político. É defender a classe e a universidade pública.

Ombudsman: Giovana Matos Moraes

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