O que vem depois: Jornalistas que seguiram em outras áreas

Ex-alunos do curso da Unesp em Bauru relatam experiências que tiveram durante o curso e qual foi o motivo para mudarem de carreira

Segundo dados do INEP/Mec, referentes ao ano de 2010, mais de sete mil alunos se formam nas mais de 300 faculdades de Jornalismo espalhadas por todo o país. No entanto, nem todos conseguem colocação na profissão no mercado de trabalho. O curso de jornalismo da UNESP em Bauru também não foge dessa realidade.

Com mais de sete mil alunos ingressantes por ano, a universidade possui grande diversidade dentro do campus, contando com mais de 20 cursos de graduação em diferentes áreas do conhecimento, divididos entre a Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), Faculdade de Ciências (FC), e a Faculdade de Engenharia (FEB).

Mesmo com tanta gente e conhecimento reunidos, nem todos os alunos de fato sigam no mercado de trabalho da área que cursaram, seja por não conseguirem se inserir no mercado, ou mesmo por possuírem uma afinidade maior com outras áreas, como é o caso dos entrevistados.

Para a designer Bruna Hirano, 24 anos, ao terminar o curso de Jornalismo no ano passado, já estava bem claro de que seguiria para a área de comunicação visual: “Durante todo o curso eu sempre gostei mais do visual do que o textual, minha maior motivação para seguir para o Design foi a minha paixão pela área.”, conta. Apesar de ter seguido em Design, ela diz ter amado o curso.

Bruna Hirano. Foto: Arquivo Pessoal

“Eu amava Planejamento Gráfico-Editorial. Foi depois de ter essa disciplina e me apaixonar pelo o InDesign que eu descobri que iria seguir como Designer Gráfico depois que eu me formasse.”, explica. Para ela, estudar na UNESP foi uma experiência construtiva. “A UNESP me trouxe uma outra visão de mundo. Estudar em uma faculdade pública me fez entrar em contato com muita discussão importante como política, feminismo, minorias, por exemplo. Isso me fez crescer muito.”, termina.

Já para o analista de marketing Alexandre Wolf, 24 anos, também formado em 2018, a história foi diferente. Quando entrou para o curso, não tinha certeza se era de fato aquilo que queria. “Nunca tive um sonho de trabalhar com jornalismo, reportagem e tudo mais. Desde o primeiro ano eu conheci a área de Assessoria de Comunicação e já estava me encaminhando para trabalhar nessa área. Fiz estágio em assessoria e hoje sou analista de marketing em uma agência em marketing digital em São Caetano”, conta.

Ele também conta algumas das suas motivações para trabalhar fora da área:

 

Para ele, o curso de jornalismo ofereceu um aprendizado diverso e generalista. “Você aprende a se comunicar, acaba lendo e aprendendo muito sobre vários assuntos diferentes, então essa formação generalista e o contato com o público, desde o primeiro ano de faculdade, acaba contribuindo muito com quem trabalha com pessoas, consequentemente em marketing, isso me ajudou muito.”

Alexandre admite que apesar do curso possuir seus problemas, como problemas estruturais, falta de professores ou falta de apoio da instituição, gostou do curso e era fã de jornalismo esportivo. “Sempre fui muito fã de esporte, boa parte dos meus trabalhos na faculdade foram sobre esse assunto. Gostava muito das aulas do professor Max Vicente, de realidade política e socioeconômica do Brasil. Também gostava bastante do professor Francisco Belda.”

Alexandre trabalhando. Foto: Arquivo Pessoal

Para a professora de culinária Isabela Romitelli Rocchi, de 25 anos, formada em jornalismo no ano de 2016, a desafinidade com curso e a falta de emprego foram os fatores decisivos. “Depois que eu me formei, eu fiquei um ano procurando emprego na área de jornalismo, e no começo de 2017, eu comecei o curso de gastronomia, de dois anos. Desde então eu percebi que fiquei muito mais realizada do que dentro do jornalismo.”, comenta Romitelli.

Isabela no trabalho. Foto: Arquivo Pessoal

Apesar disso, Isabela diz que não se arrepende de ter feito o curso, e que foi um grande aprendizado. “A faculdade foi importante para mim pela construção da pessoa que eu sou hoje. Não tinha muita consciência sobre assuntos como política, e não tinha muita convivência com pessoas fora da minha realidade. Na Unesp tive contato com pessoas de outras classes sociais e realidades diferentes e isso foi muito importante para mim.”, conclui Isabela.

Texto: Lucas Lombardi

Produção Multimídia: Patrick Souza

Editor: Guilherme Hansen

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