Caronas crescem como forma alternativa de transporte

A cena do dedão na beira da estrada é um clássico quando pensamos em carona – seja na universidade, escola, trabalho e viagens

Aplicativos e Grupos de Facebook facilitam a divulgação de caronas. (Foto: Geovana Alves)

A era da conectividade possibilitou a ascensão de aplicativos de carona, como o BlaBlaCar e Bynd, que funcionam de intermédio entre quem procura e quem oferece caronas. Nestes apps, a pessoa que irá viajar e possui um automóvel, anuncia a data, horário e local e espera por futuros passageiros – estabelecendo, em tempo real, um diálogo entre as partes. As vantagens são muitas e vão desde a economia financeira, o tempo, praticidade e a possibilidade de interagir com novas pessoas.

As caronas, ainda, possibilitam que pessoas consigam realizar suas tarefas diária, visitar com mais frequência suas famílias e até voltar da faculdade. Esse é o caso de lana Volpato, que mora na cidade de Botucatu e sempre oferece caronas. Professora na Universidade Estadual Paulista (UNESP), realiza semanalmente o trajeto entre Botucatu a Bauru e vice-versa.

‘’Hoje em dia eu ofereço carona duas vezes na semana, mas já cheguei a oferecer quatro dias na semana, por exemplo. Eu não conseguiria trabalhar e estudar em Bauru se eu não oferecesse, a passagem custa 95 reais! Na semana, eu gastava 360 reais, multiplicado por quatro dá 1.440 reais por mês de viagem. Se eu fosse arcar com isso sozinha iria inviabilizar meus estudos e o trabalho. Com as caronas eu consigo reduzir muito os custos’’.

A professora acrescenta que utiliza os grupos do Facebook para oferecer carona, uma outra opção que os próprios usuários criaram. A relação custo-benefício é um atrativo, segundo Alana. A carona de Botucatu para Bauru custa 20 reais e é um preço tabelado para facilitar quem está a procura e quem oferece, ajudando os dois lados.

Em entrevista ao Repórter Unesp, o Expresso Prata, empresa de transporte intermunicipal do Estado de São Paulo, explica como é calculado o preço das passagens. “A tarifa é definida pelo Governo do Estado, sendo o preço da passagem composto por tarifa, pedágios e taxa de embarque (quando houver)”.

Evolução das tarifas do Expresso Prata de 2013 a 2018:

Caronas na universidade

As universidades são um grande exemplo de carona solidária, o que ajuda muitos estudantes a economizar – já que o transporte público tem tarifas mais altas a cada ano. Em Bauru, no ano de 2018, a Tarifa Estudantil (metade da tarifa que é paga com cartão) foi de R$ 1,83 para R$ 1,90.

Thiago Martins Tozi, Servidor Público e estudante de Jornalismo da Unesp, pratica a carona solidária. ‘’Ofereço carona desde que tenho carro, por volta de 2015. Ali mesmo na Unesp, onde eu trabalho. Quando eu saio e tem alguma pessoa pedindo carona para algum lugar no caminho, eu levo sem problema’’. Ele acredita que oferecer carona possibilita trocar ideias com as pessoas, conhecer gente nova, além de ajudar os estudantes.

Para quem é  passageiro, optar pelas das caronas é muito viável. O estudante de Engenharia Elétrica, do Campus de São Carlos da USP, Felipe Moura, costuma usar o recurso para voltar a sua cidade de origem, Votuporanga. De acordo com Felipe, viajar de carona tem a vantagem da flexibilização de horários oferecidos em relação ao transporte coletivo. ‘’Considerando o valor da passagem comum de ônibus, o custo-benefício é excelente, visto que para ida e volta tenho uma economia de cerca de 4 horas de viagem, além de uma economia de R$80 reais’’. 

Os riscos do transporte alternativo

Pegar ou oferecer carona pode ter riscos. Entre eles, a usuária do aplicativo BlaBlacar para pegar caronas, Thais Cilli, menciona que “a desvantagem é que ainda é perigoso, pois não existe um sistema confiável. Outros sistemas semelhantes de compartilhamento de transporte particular, como Uber e Cabify, contam com um sistema maior de verificação do motorista e monitoramento das viagens, pois é um sistema profissional. Já o Blablacar é voltado para o informal, para a ‘camaradagem’, e isso traz muita insegurança’’.

Alana Volpato, que oferece caronas, comenta que publica nos grupos, atualiza os horários e responde às pessoas. Mas afirma que não viaja sozinha com homens, justamente por questões de machismo e violência contra as mulheres. “Eu prefiro dar carona para mulheres, só dou para homens se têm mulheres comigo. Então, demoro para responder mais às solicitações dos homens e aceito quando está garantido uma mulher comigo”. Ela destaca que está sempre atenta ao perfil dos usuários na rede social, conferindo a lista de amigos e interações do mesmo.

E você, leitor, quer experimentar um pouco da sensação ao pegar uma carona? Então é só embarcar com a Repórter Tatiany Garcia nesta viagem.

 

Texto: Tatiany Garcia

Produção multimídia: Geovana Alves

Edição: Júlio César

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