À espera de uma vida: como lidar com a chegada do bebê

Existem muitas dúvidas acerca dos primeiros cuidados com recém-nascidos. Essas inseguranças geram preocupação e deixam muitos pais ainda mais ansiosos para a chegada dos filhos.

Nascer. Vir ao mundo. Chegar. Integrar nossa sociedade. Um ato involuntário e tão significativo para diferentes culturas ao redor do mundo. Na ilha de Bali, na Indonésia, por exemplo, os bebês não podem tocar o chão até os três meses – os balineses acreditam que o contato com o solo pode contaminá-los. Já na Irlanda, os pais colocam migalhas do bolo de casamento na testa do bebê durante o batizado para lhe dar boa sorte.

Nossa vinda ao mundo é, muitas vezes, planejada. Mas, como ocorre essa chegada e quem é responsável por ela? “Eu estudei muito sobre o assunto. É essencial se informar para poder decidir sobre muitos aspectos, como o parto, por exemplo”, conta Jemima Araújo, psicóloga e mãe da Nicole, de um ano e seis meses. “Optei pelo natural e domiciliar a princípio. Porém, no final da gestação, minha pressão subiu e tive que ir para o hospital”.

primeiros cuidados

O cuidado de uma doula

Outras mães também têm buscado partos naturais, que têm crescido significativamente no Brasil, assim como a procura pelo trabalho das doulas. Elas são mulheres que auxiliam durante o período de gestação, parto e pós-parto. “Damos suporte de informações, orientando sobre intervenções obstétricas, posicionamento adequado, esclarecimento de termos técnicos, dúvidas e geramos o incentivo para perguntas”, explica Natália Silveira Lisbôa, doula e estudante de psicologia.”Além disso, fornecemos suporte físico de técnicas de respiração, posicionamento, compressas, movimentos corporais, massagens, dentre outros procedimentos não-farmacológicos, para diminuir a dor”, conta. Mediante esses suportes, a doula ajuda a gestante e lhe proporciona uma experiência mais calma. “É importante ressaltar que as doulas não realizam procedimentos médicos e não são parteiras.”, explica.

Assim como buscou conhecimento sobre maternidade, Jemima optou pelos serviços de uma doula. “Ela me acalmou, fez massagem e pressão nos lugares certos para aliviar contrações… Ficou comigo o tempo todo. Inclusive, me ajudou  a aceitar o parto, que foi diferente de tudo que eu havia planejado”, relembra.

Como receber o bebê?

A doula Natália aconselha as mães e pais a procurarem cursos, consultar outras gestantes e, principalmente, construir uma rede de apoio com quem você possa contar no parto e na maternidade. “Não se trata só de ter condições socioeconômicas, mas também condições psicológicas de ser uma mãe suficientemente boa”.

De acordo com o livro “O Bebê do Amanhã”, de Thomas R. Verny e Pamela Weintraub, o momento do parto pode influenciar na personalidade do bebê. Antes, ele encontrava-se no útero, um ambiente confortável e seguro. Mas, ao nascer, pode se deparar com um ambiente de estresse. “Infelizmente, muitas vezes, a mulher não é respeitada em seu próprio parto”, desabafa Jemima.

“O ambiente clínico no Brasil envolve muito uma questão de poder por parte do médico… A inserção de mais uma pessoa (doula) na equipe do nascimento muda essas relações de poder no hospital e em alguns casos, gera preconceito”, Nathália Silveira Lisbôa, doula.

Por isso, é importante estudar possibilidades e planejar-se. Mas, ao mesmo tempo, compreender que nem sempre poderá ter controle sobre tudo. No parto da filha da Jemima, com a orientação do médico, ela acabou optando por cesárea devido a complicações. “Ele constatou desproporção céfalo-pélvica, que é quando a abertura dos ossos da cabeça do bebê é maior que a abertura dos meus ossos pélvicos. Aprendi a aceitar isso só depois de algum tempo”, conta a psicóloga.

Primeiros cuidados

“O parto humanizado sugere que os bebês que nasceram saudáveis vão diretamente para o colo da mãe, que pode, inclusive, amamentar o seu filho. Normalmente, enquanto o bebê está com a mãe, o médico realiza os exames necessários, como o Teste de Apgar”, comenta a doula. Dessa forma, depois de passar o tempo necessário no hospital e receber os cuidados médicos, é o momento de levar o recém-nascido para a casa. Antes da chegada do novo membro da família, certifique-se de que:

  • A casa está limpa;
  • Os móveis estão posicionados de forma funcional;
  • O ambiente fornecerá conforto;
  • A casa esteja ventilada.

Buscando informação e planejando-se com antecedência para a chegada dos filhos, o nascimento e os primeiros cuidados se tornarão uma experiência de aprendizado em diferentes aspectos. “É sobre entender que tudo acontece como deve ser”, afirma Jemima.

Texto: Rhaida Bávia

Produção multimídia: Michele Custódio

Edição: Beatriz Ribeiro

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