Esperanças que movem: pacientes que saem de casa em busca da cura

Entre idas e vindas ao hospital, depois de alguns sintomas estranhos, veio a notícia que eles precisariam de um transplante. A mudança para Jaú, interior de São Paulo, para realizar tratamento, é o tema da vez. Conversamos com quatro pacientes do Hospital Amaral Carvalho, que contaram como é abandonar a cidade em que nasceram em busca da cura do câncer.

Do Maranhão, Piauí e Manaus e Ceará,  Adilson, Elisabete, Maria Lídia e Milton desembarcaram em Jaú para tratarem o câncer. Sem muito saber para onde estavam indo, a esperança da cura ultrapassava todos os medos e fazia com que, sem reclamar, eles viessem em busca de ajuda. O Hospital Amaral Carvalho, quando foi citado pelos médicos de suas cidades, não era conhecido pelos três, mas depois de algumas pesquisas rápidas no Google, perceberam que estariam em boas mãos. 

Chegaram ao interior de São Paulo com um pé atrás, mas rapidamente foram acolhidos por todos. Encaminhados para a casa de apoio, já que vinham de longe e não tinham onde ficar, eles começaram a construir ali uma nova casa, mesmo que muito longe da deles. “Eu construí uma família na casa de apoio. No início, assim que eu cheguei, procurei ficar mais na minha, mas depois fui me soltando. Eu gosto muito das meninas que trabalham aqui, elas fazem de tudo para nos deixarem bem à vontade, nos sentindo em casa, mesmo”, disse Adilson, o conterrâneo do Maranhão.

E assim, a ida para o Hospital Amaral Carvalho tornou-se uma vinda milagrosa, que além de proporcionar a cura para a saúde, revitaliza a alma que, em momentos como esses,  insiste em cambalear. Para viabilizar uma melhor acomodação e cuidados para os que vêm de longe, uma nova casa de apoio foi inteiramente construída com renda de doações e leilões.

Elisabete veio de Cocal, no Piauí, percorrendo mais de 2.600 quilômetros até Jaú (SP)

 

Acompanhados pela esposa, marido e amigos, eles se sentem como se não tivessem saído de suas cidades. A inauguração da nova casa de apoio Eva L. V. Barbanti aconteceu no dia 7 de abril desse ano, mas a mudança só aconteceu no dia 13 de agosto. Com 78 leitos e 5 refeições, eles recebem todos de coração aberto, como conta Leandra Rosso Martiniano, encarregada da casa e que trabalha no Amaral há 14 anos. “O diferencial das casas de apoio é o acolhimento. A gente vê que o pouco que fazemos para esses pacientes de vêm longe, significa muito para eles. Aqui, a gente vai contra tudo que a mídia prega, aqui você vê a pessoa, realmente, pelo que ela é.”

Sentir-se cuidada, acolhida e respeitada é essencial em momentos como esses, afirma Elisabete, do Piauí. A paciente enche a boca para falar o quanto foi importante estar em um lugar assim ao chegar em uma cidade, até então, desconhecida. “O acolhimento foi um ponto que me ajudou na cura. A gente é muito bem tratada aqui no hospital, a gente se sente até importante”, contou. Maria Lídia, quando questionada da importância da casa, não pensou duas vezes para responder. “Com certeza ficar em um local como esse foi muito importante para o tratamento, já imaginou se eu tivesse que pagar aluguel de casa, alimentação, e remédio?”

Da esquerda para a direita: Maria Lídia, Elisabete, Adilson e Milton

Apesar de estarem morrendo de saudade de suas casas, eles não têm pressa de ir embora, já que querem sair de lá saudáveis e vitoriosos da batalha. Quem ama, cuida. Quem acolhe, se sente bem -e quem é acolhido, sente-se grato. Em tratamentos longe de casa, a ida é dolorida, mas se no caminho, casas de apoio como essas forem encontradas, você conseguirá uma vinda gloriosa.

Texto e fotos: Aline Campanhã

Produção multimídia: Michele Custódio

Edição: Beatriz Ribeiro

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