Casa é onde mora o coração

Mudam-se os tempos, ideias e costumes, mas o amor continua sendo um dos combustíveis principais para viajar – e para mudanças. A globalização é um fator importante quando falamos sobre relacionamentos contemporâneos. Isso porque, na internet, nenhum lugar é longe demais – nem mesmo no amor. 

Com a facilidade de conhecer pessoas e se conectar rapidamente com elas, muitas histórias de amor surgem no meio digital. É o caso da Bruna Delazare, de Vitória (ES), que conheceu o namorado Bruno Maciel, de São Paulo (SP), em uma chamada de Skype com outros amigos. Francisco Neto, de Maceió (AL), conheceu a ribeirão-pretana Stephany Furtado por um grupo no Facebook da série “The Vampire Diaries”.

Mas nem só de tecnologia vivem os relacionamentos. O argentino Tobias Agnese conheceu a brasileira Carolina Simões na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. E o americano James Chubb conheceu uma brasileira através de um programa de intercâmbio em Tucson, Arizona.

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História é o que não falta

Tobias conheceu Carolina em 2013, na Jornada Mundial da Juventude sediada pelo Rio de Janeiro. “Mas foi por Facebook, na verdade, que começamos a nos falar e nos conhecer”, pontua. Ele é estudante de medicina em Cipolletti, na província de Río Negro, Argentina. Carolina é natural de Bauru e graduanda em biologia na USP, e os dois engataram um relacionamento a distância há 5 anos. Depois do primeiro contato no Rio, eles se viram novamente apenas dois anos depois. E, até agora, ficam períodos de um ano a um ano e meio sem se ver. Tudo isso porque deslocar-se custa dinheiro – e muito. De acordo com Tobias, a maior dificuldade é justamente ficar longe. “Não temos o tempo que queremos para fazer coisas cotidianas juntos e nos conhecer mais depressa. Além da saudade, que é grande. Mas cada encontro vale a pena”, ressalta. 

Já Bruna resolveu o problema da distância com Bruno. Depois da chamada de Skype em grupo, eles começaram a conversar apenas entre os dois. O namoro começou virtualmente, uma semana antes do primeiro encontro. E os dois se visitavam uma vez por mês. “Essa é uma dica, tentar se ver sempre. É caro, mas investir num relacionamento a distância é colocá-lo como prioridade.” Depois de mais ou menos um ano e meio veio a decisão de se mudar para São Paulo. “No fim, nós não aguentávamos mais ficar longe e eu acabei me mudando para cá de um jeito meio maluco. Outra dica é planejar direito a mudança (risos)”, acrescenta.

A distância foi um fator diferente no relacionamento de Francisco e Stephany. O primeiro encontro do casal aconteceu um ano e três meses depois do pedido de namoro. Stephany foi até Maceió acompanhada dos pais, nas férias de dezembro. “Depois de encontrá-la na Praia de Ponta Verde, estava decidido a ir atrás dela.”  Francisco acrescenta que os pais da namorada foram de muita ajuda no processo: “Tenho muita sorte de ter caído na família. Depois de conhecê-los, me convidaram para passar uns dias em Ribeirão Preto. Eu fui em junho. Foi muito impactante e desafiador, pois eu não conhecia o estado de São Paulo.”

Quando questionado sobre a felicidade, ele argumenta. “Felicidade é algo momentâneo, ninguém está feliz o tempo todo. Eu moro em Ribeirão agora e posso afirmar que tive muitos altos e baixos. Muito crescimento pessoal e profissional. Acho que no fim, tudo na vida agrega. Muita coisa aconteceu nesses 3 anos. Danos são necessários pra evoluirmos.”. Agora, o desafio do relacionamento dos dois volta a ser os muitos quilômetros de distância. Stephany se mudou para Buenos Aires para cursar medicina. E Francisco? “Vou largar tudo para ir atrás dela mais uma vez.”

A história do estadunidense James, por sua vez, é diferente. Ele se mudou para Bauru (SP) há sete anos, quando decidiu vir atrás de sua namorada. “Eu era jovem, tinha muito isso de ‘espírito de aventura’ e já fazia mais ou menos um ano que estávamos juntos. Então decidi vir”, conta. O relacionamento não deu certo. Mas James continua no Brasil. 

O mundo permite que você largue tudo, mas pouco se fala sobre as dificuldades de fazê-lo. É preciso muito planejamento, dinheiro e perspectiva de conseguir emprego. James adverte: “Você se muda para outra cultura. Tudo aqui é muito diferente do que nos Estados Unidos. É outro idioma, são outros costumes e de repente você se vê sem uma rede de contatos muito consolidada”.

Além disso, é preciso ponderar o que se deixa para trás. Família, trabalho estável. No caso de Francisco, de Maceió, a família está se mudando para Ribeirão Preto também. E Bruna, de Vitória, morre de saudade do clima de sua cidade natal e dos amigos. São várias concessões a serem feitas.

James fala sobre a dificuldade de conseguir trabalho. “Se você não fala o idioma, fica muito difícil. E também demora um tempo para entender como as coisas funcionam, as burocracias. Por exemplo, esses dias eu precisava comprar um chip pré-pago. Quando fui na loja, precisava de um documento, então eu tive que voltar para casa, buscar o documento e quando cheguei à loja de novo, precisava colocar crédito e eu não sabia, (risos). São vários detalhezinhos que, às vezes, são um pouco frustrantes.”

Como saldo, o americano não se arrepende. Tem um filho e conseguiu honrar sua vontade de explorar o mundo: ele trouxe sua picape Ford de 1966 de Washington, DC, até Bauru com um amigo. Os dois percorreram mais de 16 mil quilômetros e passaram por mais de 13 países. “A experiência de viver em outro país é boa e enriquecedora. É uma tarefa árdua, mas não deixa de ser uma grande aventura.”, finaliza James.

Texto: Julia Pascoal

Conteúdo Multimídia: Geovana Alves

Edição: Júlio César

 

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