Laylah Arruda traz o embalo do Sound System para Bauru

O repertório  da cantora e sua banda traz elementos da cultura jamaicana e influências do reggae e rap com seu álbum Amalgama

Na noite desta quarta-feira (16) o Sesc Bauru promoveu o show da cantora Laylah Arruda e a sua banda Orgânica. Parte de uma programação voltada para o Dub e Sound System que começou no dia 9 e vai até o dia 25 de maio,  a apresentação ocorreu pelo Projeto Autorias.  Antes do show, houve uma oficina de Beats e Samplimg com a DJ Raffa Jazz e o DJ NGS. Em seguida, a apresentação de Lailah começou às 21h00.

Segundo Fabiana Monteiro, coordenadora do catálogo musical do Sesc, o Projeto Autorias existe há pouco mais de um ano.  Ele é voltado para apresentações autorais que ocorrem com entrada gratuita todas as quartas-feiras. “Quando a gente vai fazer a programação,  a gente tenta seguir a princípio uma pauta para tentar alinhar com esta ideia de autoral que a gente tem. Às vezes a gente consegue fazer projetos mais consistentes como esse do Dub” – explica Fabiana.

Oficina e Show

Parte desta programação especial do Sesc que inclui o show de Laylah,  o catálogo contou ainda com uma oficina de Produção de Beats e Samplings ministrada pela DJ Raffa Jazz e o DJ NGS. A ideia da oficina era ensinar a montagem de músicas a partir de fragmentos remixados de outras, com o uso de softwares livres e valorização do vinil.  O uso de beats e samplings faz parte do Sound System, também conhecido como Sistema de Som no Brasil.

Os autores da oficina destacaram a importância do uso de softwares livres para democratização da produção de beats. (Foto: Bianca Moreira)

“A recepção foi ótima! Ontem, vieram quinze pessoas bem interessas em aprender o software e pegar dicas de produção.  Hoje vieram sete, pois os outros não puderam vir por compromissos que avisaram ontem” – acredita a DJ Rama Jazz.  Ela infere ainda que o vinil está voltando despertar a paixão das novas gerações.

Estes efeitos puderem ser vistos no show de Laylah, que lotou o espaço do Sesc após a oficina.  Houve até quem se emocionasse com o ritmo da apresentação. “Foi intenso demais. Acho que senti uma energia muito forte neste show, além de admirar a presença de palco da Layla. Quando eu vi, estava chorando, mas pela alegria de viver todo aquele momento” – disse Denise Pinho.

O Sound System de Laylah Arruda

O Sound System surgiu nos anos 50 como uma forma de resistência na Jamaica. Neste sentido, as camadas sociais que não tinham condições de comprar um rádio, utilizavam de outros recursos para as suas festas. Os recursos costumavam ser dispositivos como alto-falantes, toca-discos e amplificadores. Com o tempo,  começaram a usar do Dub, que era o remix de ritmos de reggae enquanto alguém cantava.

Laylah Arruda resgata essa essência da cultura jamaicana em seu show e seu álbum Amalgama, lançado em 2016. Neste resgate, ela traz o som do toca-discos de fundo com remix da batida de reggae. Entretanto, ela acrescenta a sua banda, a qual batizou de Orgânica. É possível ver, ainda, traços do rap no repertório da artista.

A presença da banda Orgânica dá novos significados ao repertório tradicional nos moldes jamaicanos. (Foto: Bianca Moreira)

“É um álbum que eu tenho como muito novo.  Ele é o primeiro que lancei com este formato de compilado de músicas” – comenta Laylah. Ela destaca a influência do Movimento Negro e do Feminismo no seu trabalho. “Além disto, este é um álbum que me marcou por causa de uma música que me conectou a uns caras da Itália que são amantes de Sistemas de Som, que fazem música por amor. E eu me apaixonei pelos instrumentais deles”.  Por isso que em seu repertório há o acréscimo de uma banda instrumental além dos aparelhos típicos do Sound System.

A programação do SESC com o Dub e Sound System continua até o dia 25 com as oficinas e os shows do Projeto Autorias.

 

Texto: Wesley Anjos

Produtora de Mídias: Bianca Moreira

 

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