Nova moda: a personalidade que se veste

Com looks flexíveis, os Millennials buscam marcas alinhadas ao seu estilo de vida

Os “Baby Boomers”, nascidos entre as décadas de 40 e 60, eram o símbolo da revolução e usavam a moda como representação de seus ideais. Já a geração X, jovens dos 60 e 70, foi um “clone” de  ídolos televisivos e empregou as influências midiáticas em sua forma de se vestir. Por sua vez, os Millennials, atual geração de jovens adultos, compõem looks flexíveis e apresentam uma forma de se vestir que oscila entre o real e o simulacro, refletindo sua  intensa interação com as redes sociais. Para eles, a roupa serve como suporte de projeção, já que imprime no corpo algo também presente no universo virtual.

Em 2016, a inteligência setorial do SEBRAE divulgou um boletim de tendências de moda da geração Y (Millennials). Os resultados mostraram que eles buscam criar um estilo único e confortável ao se vestir, que represente sua personalidade. Por isso, optam por peças customizadas e pela mistura de tecidos e cores. Ademais, o consumo de moda dos Millennials reflete maior valorização de marcas que demonstram comprometimento socioambiental. Hoje, há maior clareza sobre vários assuntos devido ao fácil acesso à informação. Isso se reflete no engajamento dessa geração, que busca romper preconceitos e trazer fluidez à visão do que é moda. 

Para Fabiana Bertagnolli Piasentin, idealizadora do blog “O que tem no meu armário” e consultora de moda pela London College of Fashion,  mais do que uma geração que rompe barreiras na forma de se vestir, “estamos diante de uma geração que tem valorizado mais o bem-estar e a praticidade em detrimento da ostentação, e que tem discutido mais sobre o papel da moda na construção da autoestima e aceitação”.

A influência da internet

Além de se manterem antenados sobre as tendências pela internet, os Millennials buscam produzir conteúdo sobre as marcas. E conseguem, por meio de diversas plataformas como o Youtube e o Instagram, que hoje produzem mais celebridades do que os veículos de mídia tradicionais.

Segundo o Cassandra Report, um relatório que compila dados sobre as preferências de mercado dos jovens para grandes empresas, 63% dos Millennials consomem mais conteúdos nessas plataformas do que em outros veículos midiáticos.

The Millennial Consumer”, estudo  realizado em 2014 pela  Millennial Branding – empresa de consultoria de pesquisa da geração Y –  sinaliza que, ao contrário das gerações anteriores, os Millennials confiam mais em blogs e vlogs. 33% dos entrevistados os selecionaram como sua principal fonte de mídia antes de fazer uma compra. Em contrapartida, menos de 3% classificam conteúdos de TV, revistas e livros como influenciadores de suas compras. O Facebook aparece como rede social que mais influencia os hábitos de consumo. 43% afirmam tê-lo como principal motivador, seguido pelo Instagram (22%) e pelo Pinterest (12%).

Para Fabiana, os influenciadores digitais estabelecem um vínculo de proximidade com seu público, por compartilharem frequentemente seus hábitos e opiniões. Assim, acabam se tornando modelos a serem seguidos pelas massas. “Eles vendem o estilo de vida que muitas pessoas desejam ter e vestir-se como eles aproxima os fãs de seus ídolos. As marcas já se ligaram nisso e têm investido cada vez mais nesse tipo de publicidade”, conclui.

Moda como forma de expressão

Em uma análise da fidelidade do consumidor Millennial na indústria de roupas, produzida para a Cardiff School of Management em 2017, 92% dos entrevistados afirmaram reconhecer características de personalidade dentro das marcas. Além disso, alegaram que preferem marcas de roupas com características de personalidade que se relacionem às suas.

Fabiana aponta que isso é perfeitamente natural e não é uma característica só dos Millennials. “Vestir-se é posicionar-se cultural, social e politicamente. É por meio da moda que você se relaciona com a sociedade e transmite valores sem precisar comunicar-se verbalmente”, afirma. Pensando nisso, a equipe do Repórter Unesp produziu este ensaio fotográfico com alguns jovens, para descobrir como eles acham que as roupas se relacionam com a própria personalidade.

Gabriella Munhoz, 21 anos
Moda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Acredito que a roupa expressa muito mais do que personalidade da pessoa, pois se relaciona também com o estilo de vida que ela leva. As minhas roupas representam a minha personalidade principalmente na escolha de cores e estampas. Já as peças refletem a minha rotina; como trabalho em escritório, passo a maior parte do tempo com roupa social.”

Rafael de Toledo, 20 anos

 

Desde criança eu apresento um tom adulto e alguns traços de personalidade de pessoas mais velhas. Então eu acho que isso acaba se refletindo um pouco na forma como eu me visto. Eu adorava as roupas do meu avô. Ele usava muita camisa e calça social de cintura bem alta, peças que eu costumo usar nos meus looks. Por isso eu acredito que eu tenha um estilo tão próximo do vintage.”

Pâmela Raul, 25 anos

 

Eu ainda estou descobrindo meu estilo, ainda estou um pouco confusa. Mas uma coisa é fato, eu gosto de cores neutras e sóbrias, o que reflete um pouco de quem eu sou e do que eu gosto. Sou uma pessoa discreta, acredito que minhas roupas transmitem um pouco disso.”

Felipe Sousa, 21 anos

 

“Eu acho que as minhas roupas refletem bem a pessoa que eu sou. Gosto bastante de influências africanas, o que remete bem à minha ancestralidade, e das influências dos estilos de música que eu curto, como o rap e o funk.”

Daniele Gonçalves, 20 anos

 

“Eu sempre gostei de me vestir bem e de me sentir confortável dentro das roupas que uso. A moda foi um dos meios de me conhecer. Penso na moda como uma forma de me apresentar à sociedade e ao mundo.”

Juliana Paixão, 26 anos

 

“Demorei muito para entender que a maneira que eu me visto é uma forma de expressão, até porque demorei muito para começar a aceitar meu corpo. Vesti-lo era para mim um ato muito mais estratégico, de esconder o que eu não gostava nele. Eu não queria ser vista. Ainda me pego evitando certos tipos de roupa. Não por não me identificar com elas, mas por achar que eu não posso por não estar em um padrão. Tenho experienciado roupas que sempre quis vestir aos poucos. Tanto que minha paleta de cores não é muito variada e, acredito eu, que a sua sobriedade é justamente por conta disso que falei.”

 

 

Texto e produção multimídia: Bianca Moreira

Edição: Clara Tadayozzi

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