Marcha das Mulheres encerra atividades do mês da mulher em Bauru

Unidas pela reivindicação de seus direitos, mulheres tomaram as ruas da cidade no último final de semana
Participantes da marcha das mulheres ocupando uma avenida de Bauru carregando uma faixa com os dizeres "Resiste Mulher"

Munidas de cartazes, instrumentos musicais e gritos, as mulheres ocuparam a Avenida Rodrigues Alves (Foto: Sofia Hermoso)

No sábado dia 24 de março aconteceu a Marcha das Mulheres, organizada pelo coletivo feminista “Movimento Resiste Mulher”. O evento encerrou o “Março das Mulheres”, um mês inteiro repleto de oficinas, atos, debates e diálogos para celebrar o mês que simboliza a luta feminina. A marcha está na sua segunda edição e o tema de 2018 é “Nenhum direito a menos”. 

A concentração, que começou às 14 horas na praça Rui Barbosa, contou com a confecção de cartazes e customização de camisetas e instrumentos com a técnica de stencil. Algumas mulheres também pintaram o símbolo do sexo feminino em seus corpos. Por volta das 14h40 a marcha teve início. Dentre as participantes estavam aproximadamente 20 moradoras do assentamento Nova Canaã, membros do Movimento Social Livre dos Trabalhadores (MSLT).

Mulher escrevendo cartaz para a marcha das mulheres

A organização disponibilizou cartolinas e canetinhas para que as mulheres fizessem seus próprios cartazes (Foto: Sofia Hermoso)

Pelo fim da violência de gênero e da diminuição dos direitos da mulher, elas percorreram o trajeto aos gritos, com auxílio de um carro de som e megafones.  Foram entoadas frases como “A nossa luta é todo dia. Eu sou mulher e não sou mercadoria” e “Não é mimimi! A gente vai falar e vocês vão ter que ouvir”.  Assim, prometeram não se calar diante daqueles que tentam monopolizar a voz feminina. 

“Companheira me ajude, eu não posso andar só. Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor” era uma das entoações feitas durante a marcha (Foto: Sofia Hermoso)

Trajeto

Saindo da Praça Rui Barbosa, a marcha seguiu pela Avenida Rodrigues Alves sentido Praça Machado de Mello. Quando o grupo chegou em frente à Câmara Municipal, as participantes sentaram-se na avenida e, juntas, leram o manifesto reproduzido a seguir:

“Joana. Luísa. Maria da Penha. Mariana. Vanessa. Claudia. Ana. Dandara. Helena. Marielle. Marielle. Marielle! Em memória de Marielle e todas as outras nós nunca mais ficaremos em silêncio. Em cinco minutos, eu sou agredida. Em onze minutos, eu sou abusada. Em duas horas, eu sou assassinada. Esse é o tempo que leva para as mulheres sofrerem algum tipo de violência no Brasil. Nós somos mulheres. Cisgêneras, transexuais, travestis. Lésbicas, bissexuais, heterossexuais. Negras, indígenas, brancas. Mulheres com deficiência. Mulheres que são mães e as que não são. Mulheres que abortaram. Mulheres trabalhadoras assentadas, universitárias, donas de casa, de empresas, donas de si. A todas nós, mulheres plurais. Nosso manifesto é um grito. Um grito pelo fim da violência. Um grito que ecoa em cada casa, em cada família, em cada universidade, em cada coletivo, em cada espaço em que nós existimos e resistimos. Nós vamos nos levantar e fazer a nossa voz ecoar. Nós vamos nos movimentar e mostrar que não sofreremos caladas. Ocuparemos as escolas, praças, faculdades, espaços públicos. Ocuparemos as ruas, até que todos ouçam o nosso pedido. Todos os dias, nós vamos lutar contra a violência e contra a retirada dos nossos direitos. Somos a minoria que recebe os piores salários. Nossas tarefas domésticas não são valorizadas, não são divididas e nem remuneradas. Somos as pessoas mais afetadas pela reforma da previdência. Somos assassinadas quando denunciamos o genocídio do povo negro, o racismo e a discriminação. Somos forçadas a aceitar o que os políticos decidem sobre nossos corpos. Em tempos de crise, nossos direitos são os primeiros a serem retirados. Somos vítimas de um governo golpista. Por isso gritamos: NEM UM DIREITO A MENOS! Para que nenhum mulher mais seja violentada, agredida ou morta. Para que sobrevivam nossas irmãs, mães, amigas, namoradas. Dia de lutar, gritar e fazer ouvir nossa voz: merecemos respeito! Nem um direito a menos! Nem uma mulher a menos!”

Marcha das Mulheres passando pela Avenida Rodrigues Alves

Os instrumentos utilizados foram feitos com material reciclado numa oficina ministrada pela professora e musicista Marcela Fernandes (Foto: Sofia Hermoso)

O retorno para a praça Rui Barbosa aconteceu pelo calçadão da rua Batista de Carvalho. No caminho foram realizados alguns espaços de fala e um minuto de silêncio em homenagem à Marielle Franco, a vereadora do PSOL que foi morta a tiros no Rio de Janeiro.

A Marcha das Mulheres acabou por volta das 17h30, mas as atividades continuaram até às 22 horas. Segundo a programação do evento, às 18 horas aconteceu a Batucada das Marias, às 18h30 o show de rap com o grupo feminino Ouro d’Mina e às 19 horas a edição especial do Sarau do Viaduto, com a poeta convidada Ryane Leão.

Participantes da Marcha da Mulheres reunidas na praça Rui Barbosa

Mais de 100 mulheres participaram da marcha pela reivindicação de seus direitos (Foto: Sofia Hermoso)

Histórico

O coletivo “Resiste Mulher” surgiu em março de 2017, quando algumas mulheres de Bauru decidiram se organizar a partir de uma publicação no Facebook. Elas se sentiam incomodadas com a falta de uma articulação feminina na cidade para realizar eventos relacionados ao Dia da Mulher.  Daí surgiu a ideia da criação do “Março das Mulheres”.  O coletivo é composto por pessoas de diferentes idades, sexualidades, crenças e raças e “isso faz com que as mulheres se sintam mais confortáveis para reivindicar suas pautas” segundo Thamires Motta, participante do movimento. 

Além do “Março das Mulheres”, o coletivo também organiza eventos sobre a visibilidade lésbica, saúde da mulher e audiências públicas na Câmara Municipal. Para mais informações curta a página “Março das Mulheres – Bauru” no Facebook.

Para ver mais conteúdos sobre a marcha, siga o Repórter Unesp no Twitter, Instagram e no Facebook!

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