Arte, política e resistência marcam a abertura da VII Semana do Hip-Hop de Bauru

No último domingo (12), aconteceu, na Praça Machado de Mello, a abertura da VII Semana do Hip-Hop. O evento já é uma tradição em Bauru e conta com o apoio da Prefeitura da cidade. Com a intenção de criar um ambiente para o rap, a dança urbana, o grafite, o artesanato e outras formas de arte, a Semana começou às 16h. Além de muitas apresentações artísticas também houve muitas manifestações políticas.

O maior evento gratuito de Hip-Hop da América Latina tinha em sua programação artistas já conhecidos na cidade de Bauru. Grupos como MentBlindada, Literatura Suja, e Colmeia, os MC’s Dentão da Rima e Maicon Hakin e o DJ Zulu Kamarão se apresentaram em um palco móvel em frente à antiga Estação Ferroviária. A equipe de streetdance The Kings of Styles também fez parte da abertura, bem como o público em si, que foi uma atração à parte.

Uma das dançarinas do grupo The Kings of Styles

Com um comparecimento de início tímido, as pessoas começaram a chegar perto das 17h. Um grupo heterogêneo se reuniu para curtir a música e o ambiente da Semana, ao mesmo tempo em que se engajavam na construção da própria arte e da consciência coletiva do evento. Pessoas em situação de rua, mulheres e negros eram alguns dos assuntos e dos grupos que estavam sendo tratados e dialogavam ao dividir o mesmo espaço.

Nossa equipe de jornalistas, realizando a cobertura para o Facebook, Instagram e Twitter do Repórter Unesp, buscou transmitir essa mistura de públicos, ideias e experiências para os que nos acompanhavam nas mídias sociais. A primeira live realizada contou com duas entrevistas previamente gravadas: na primeira, Robinson Oliveira, designer e grafiteiro, e o B-boy Costelinha falaram um pouco sobre a história da Semana; na segunda, registramos a oficina de  pintura em lona dada pela artista plástica Rosana Maia Lopes, que compôs a programação do primeiro dia de evento.

Com o objetivo de retratar para os internautas o clima de resistência política da Semana do Hip-Hop, as imagens, stories e tweets publicados apontavam para esse caráter. Além disso, nas lives seguintes entrevistamos artistas e colaboradores e o organizador do evento. Sara Donato e Issa Paz, que são MC’s, e Luana Nayhara, representante da Frente Feminina de Hip-Hop, falaram sobre o papel da mulher no movimento, gordofobia e patriarcado. Renato Magú repetiu em sua entrevista parte de seu discurso feito no palco sobre a perseguição que o movimento sofre de instituições da cidade, além de comentar a importância do Hip-Hop para a juventude marginalizada.

Publicado por Repórter Unesp em Domingo, 12 de novembro de 2017

A politização dentro do próprio Hip-Hop foi algo muito forte durante o evento, então buscamos focar nisso nas próximas informações que foram colocadas online. Nossos próximos entrevistados foram o MC Dentão da Rima, que também foi apresentado ao público por uma série de imagens e mensagens nas redes sociais, e DJ Zulu Kamarão, presente no evento desde o início. Ambos falaram sobre a importância, diversidade, impacto e força do movimento no interior do estado e na sociedade.

O grande momento da abertura ficou por conta de Rincon Sapiência. O rapper foi responsável pelo último show da noite e tocou grandes sucessos, como “Ponta de lança” e “Meu bloco”, que levaram o público ao delírio. Tanto levaram que, em determinado momento, quando houve uma breve e misteriosa interrupção da energia fornecida ao palco, a insatisfação se materializou em uma estrondosa vaia à organização do evento. Normalizada a situação, a vaia deu lugar a uma comemoração ainda mais estrondosa. O cantor apresentou mais uma música e encerrou sua participação e o evento. Nesse momento, entramos ao vivo para conversar com o público e nos despedir dos internautas, encerrando, assim, a cobertura da VII Semana do Hip-Hop de Bauru.

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