A greve geral na visão de dois movimentos sociais de Bauru

Representantes do Direita Bauru e do Liberdade e Luta falaram ao Repórter Unesp suas perspectivas sobre o ato de sexta-feira, 28 de abril

greve geral bauru

Pessoas de diversos movimentos sociais ocuparam as ruas em protesto às reformas propostas pelo governo Temer           (Matheus Ferreira/Repórter Unesp)

A greve geral contra as reformas da Previdência e a Trabalhista do governo Temer envolveu centrais sindicais e movimentos sociais civis do país inteiro. Não há números oficiais sobre a quantidade de pessoas que aderiram à paralisação. Mas, segundo organizadores, 35 milhões de pessoas participaram nas ruas ou em suas casas.

A greve teve apoio de vários setores da sociedade brasileira. Apesar de ter sido convocada por partidos de esquerda, como PSOL, PT e PCdoB e grupos contrários ao governo, diversos outros movimentos sociais aderiram à greve geral, que questionou especialmente as medidas em relação à previdência e aos direitos trabalhistas do atual governo.

Na semana em que a aprovação de Temer caiu para 9%, a greve chamou às ruas funcionários do Metrô, da CPTM, dos dois principais aeroportos do país, a Organização dos Advogados do Brasil (OAB) e representantes da Igreja, como bispos da Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB). Alguns grupos brasileiros não foram às ruas protestar. Foi o caso de grupos ligados ao partido PSDB, ao PMDB (partido de Temer) e outros movimentos da direita brasileira.

Em Bauru, um movimento de 4 mil pessoas parou a Avenida Rodrigues Alves, uma das principais vias da cidade. Na parte da manhã, o comércio estava fechado. Além de ampla presença de coletivos e sindicatos da cidade, como o Movimento Social de Luta dos Trabalhadores (MSLT), o transporte público não funcionou naquela sexta-feira: os motoristas das empresas Grande Bauru e Cidade Sem Limites decidiram em assembleia, por unanimidade, parar as suas atividades.

Reformas de Temer

Apresentada em dezembro do ano passado, a reforma da previdência proposta por Temer sofreu diversas mudanças por conta das críticas que o governo sofreu. Inicialmente, a idade mínima universal para se aposentar era 65 anos. Isso significa que homens e mulheres, trabalhadores do campo ou da cidade teriam que esperar pelo menos até os 65 anos para se aposentar.

A reforma trabalhista também passou por revisões, apresentadas na quarta-feira, dia 26. As dez horas máximas de trabalho estão em discussão, bem como o tempo de deslocamento incluso nesse limite de horas, direito que existe ainda hoje. Além disso, o direito ao descanso de uma hora no caso de mais de seis horas diárias de trabalho podem cair para 30 minutos, mediante negociação entre patrão e empregado.

Abaixo, os principais pontos das duas reformas após suas mudanças mais recentes:

A greve pelos olhos dos movimentos sociais

Movimentos de direita e esquerda têm surgido no Brasil com a efervescência política dos últimos anos. Com ideais de modelo político distintos, esses movimentos sociais tomaram as ruas com as suas pautas.

O Repórter Unesp conversou com dois que estão ativos na cidade de Bauru: o Direita Bauru e o Liberdade e Luta. Ambos tem menos de 4 anos de existência e trabalham com a juventude da cidade. Conheça um pouco mais de cada movimento e como cada um deles enxerga a greve do dia 28 e as suas pautas.

 

Direita Bauru

Na opinião de Gabriel Machado, fundador do movimento Direita Bauru, a greve é um direito assegurado pela constituição. Apesar disso, ele coloca o direito de ir e vir acima da livre manifestação. Segundo ele, muitas pessoas se afastam da greve porque ela é feita de forma a impedir outras pessoas de se locomoverem. “Uma coisa é a população ser contra as reformas, outra coisa é a greve. Então eu não posso bloquear a via”, afirma Machado.

O organizador de diversos atos pelo impeachment de Dilma Rousseff afirma que, nas manifestações coordenadas pelo Direita Bauru, a polícia militar é avisada. Os atos são realizados em vias que já estariam fechadas.

Sobre as pautas da greve, Gabriel comentou que o movimento Direita Bauru também não concorda com as reformas, apesar de achar que a flexibilização pode gerar mais empregos. “A gente quer diminuição do poder do Estado, políticas econômicas que gerem emprego para a população. Para mim, essas políticas mais liberais de flexibilização econômica são para gerar emprego para o cidadão”, conclui ele.

A reforma trabalhista, para Gabriel, não é o maior problema. Segundo ele, a reforma da previdência é mais problemática, por não incluir os poderes executivo, legislativo e judiciário.

“Essas reformas não são o ideal para nós, mas são necessárias. Com elas, é mantido o serviço da previdência e serão gerados empregos. Se eu sou contra o empresário, eu sou contra quem gera emprego. Ou todo mundo vai virar autônomo ou então trabalhar para o Estado?”.

O Repórter Unesp realizou uma cobertura fotográfica da greve geral em Bauru. Veja abaixo a galeria de fotos.

[ngg_images source=”galleries” container_ids=”15″ display_type=”photocrati-nextgen_basic_imagebrowser” ajax_pagination=”1″ order_by=”sortorder” order_direction=”ASC” returns=”included” maximum_entity_count=”500″]

Liberdade e Luta

A estudante universitária Renata Ribeiro compõe o Liberdade e Luta, movimento de cunho socialista que atua junto à juventude de Bauru há um ano. Para ela, a greve de sexta-feira foi sinônimo de muito trabalho. A organização foi às ruas antes do ato para panfletar e conseguir apoio popular.

Durante a manifestação, o Liberdade e Luta participou do trancamento da Rodovia Marechal Rondon e organizou sindicatos e movimentos de base para realizar um ato representativo. “O efeito disso tudo foi uma movimentação unificada. Inúmeros movimentos sociais, categorias, sindicatos e pessoas independentes estavam lá no ato”, completa Ribeiro.

Sua principal bandeira é a justiça social e o movimento posiciona-se contra as medidas do governo em relação à previdência e ao sistema trabalhista. O grupo acredita que elas são retiradas de direito dos trabalhadores.

Renata explica que a própria mobilização é uma amostra de que a população não concorda com o que está ocorrendo. “Foi histórico. Em 20 anos não se via atos dessas proporções, tanto em Bauru, quanto no Brasil”, afirma a estudante.

Ela pontuou a discrepância que as reformas têm com mulheres e jovens. “Nós fomos em empresas que têm um maior número de funcionários mulheres e jovens, como as de recuperação de crédito, e que infelizmente não tem uma proteção para lutar. Nós apresentamos o que significa a Reforma da Previdência para esses jovens e mulheres”. Renata refere-se à dupla jornada de trabalho feminina nos lares brasileiros. E também a como uma retirada de direitos seria maléfica para esse grupo.

Reportagem: Daniela Arcanjo Rodrigues

Produção multimídia: Matheus Ferreira

Edição: José Felipe Vaz de Assis

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *