Rio Batalha e o desafio da preservação

Degradação do Rio Batalha afeta a vida de bauruenses. Prefeitura aposta no Plano de Manejo para ajudar na preservação

A relação entre Bauru e o abastecimento de água para a população tem sido conturbada nos últimos anos. Em 2015, mais de 30 bairros ficaram sem água devido a crise hídrica no Estado. Nesse ano, a chuva recorde do dia 18 de janeiro voltou a causar transtornos. A precipitação prejudicou o acesso à água de aproximadamente 140 mil bauruenses. Tudo isso, devido ao trabalho para a remoção de sedimentos levados pela chuva até a lagoa de captação do Rio Batalha.  O presidente do DAE, Eric Fabris, atribuiu o problema ao processo de degradação da mata ciliar do rio.

Assim como grande parte dos rios brasileiros, o Rio Batalha sofre influência de todas as atividades humanas que ocorrem em seu percurso, desde a serra da Jacutinga no município de Agudos até a sua foz no Rio Tietê. Responsável por abastecer cerca de 35% da população de Bauru, as dificuldades de preservação do manancial se tornam cada dia mais evidentes aos moradores da cidade.

O rio Batalha possui 167 quilômetros de extensão e faz parte da Bacia Hidrográfica do Médio-Tietê. Segundo a Lei Estadual nº 997/76, da legislação de controle da poluição do meio ambiente, o Batalha consistem em um rio Classe 2, com as “águas destinadas ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional, à irrigação de hortaliças ou plantas frutíferas e à recreação de contato primário (natação, esqui-aquático e mergulho)”.

Degradação do Rio

Leito do Rio Batalha após intensas chuvas em Janeiro de 2016 (Foto: Rodrigo Agostinho)

Os limites de Bauru englobam as APAs do Rio Batalha, Vargem Limpa e Água Parada. O dever do município é preservar a biodiversidade dos remanescentes de vegetação nativa nessas áreas. Isso inclui as formações de Cerrado, Cerradão e Campo Cerrado. Um dos métodos consiste em promover a recuperação das áreas degradadas controlando os processos erosivos. No entanto, a falta de conscientização, práticas equivocadas de uso do solo, a urbanização e o aumento populacional têm dificultado a preservação do rio. Nos últimos anos, o principal problema enfrentado pelo DAE tem sido o assoreamento dos rios.

A degradação da mata ciliar leva o solo das margens do rio Batalha à erosão. Este é um problema especialmente grave em épocas de chuvas constantes. A água da chuva leva todo o material resultado da erosão até o rio e seus afluentes. “Esses impactos causam inúmeras alterações nos recursos hídricos como: a deterioração da qualidade da água, diminuição da biodiversidade, interferência nas redes alimentares, eutrofização e o aumento dos custos da Estação de Tratamento de Água”, avalia Heber Soares, diretor de produção do DAE.

A autarquia tenta retirar parte da terra utilizando máquinas capazes de limpar o rio, entretanto o processo ainda não é suficiente. Uma opção corresponde a técnicas vegetativas para a recuperação das matas ciliares, pois a proteção do solo é essencial durante a regeneração da bacia hidrográfica. “É por isso que os usos da água devem ser sempre condensados e analisados para que sejam reduzidos e se possa alocar para suas funções principais como a produção de alimentos e abastecimento público. Se o rio Batalha continuar a ser degradado de diversas maneiras, toda a população que o utiliza de alguma maneira será prejudicada”, afirma Heber Soares.

Plano de Manejo

O prefeito Clodoaldo Gazzetta aposta no Plano de Manejo da APA para melhorar a conservação do Rio Batalha. Em entrevista ao Repórter UNESP, Gazzetta defende que a ocupação de parte da área de proteção é benéfica ao manancial. No entanto, para o Plano de Manejo ser executado será preciso alterar o artigo 73 do Plano Diretor do município.

Mesmo assim, no dia 12 de janeiro, a prefeitura anunciou a abertura de documentos para contratação de empresas qualificadas a desenvolver o Plano de Manejo da APA do Rio Batalha. O custo estimado do projeto corresponde a  507 mil reais e, segundo a administração, tem como objetivo  orientar o uso e ocupação do solo para proteger os recursos da região.

Porém há quem não concorde com a medida. O ex-vereador de Bauru, Roque Ferreira, publicou em seu perfil no Facebook críticas à tentativa da prefeitura de alterar o Plano Diretor. No texto, ele argumenta que a ocupação das APA’s é de interesse privado e contribui para acentuar a “exclusão da maioria da população”.

Existem três Áreas de Preservação Ambiental em Bauru. São as APAs de Água Parada, do Rio Batalha e de Vargem Limpa (Foto: Plano Diretor Participativo)

Centro Ambiental Rio Batalha

Inaugurado em 2004, a iniciativa nasceu com o objetivo de integrar servidores sobre a importância dos recursos hídricos na relação da cidade com o meio ambiente. O centro incentiva o desenvolvimento de projetos de preservação e educação ambiental que alcancem resultados de médio a longo prazo. Localizado ao lado da Captação Batalha, no Departamento de Água e Esgoto (DAE), o centro realiza visitas monitoradas para escolas de ensino básico, fundamental, médio e superior. Além disso recebe também entidades filantrópicas, associações de bairros e outros grupos.

Nas visitas, é possível entrar em contato com todas as etapas do abastecimento público de água potável. Desde a lagoa de captação até a finalização do tratamento da água e sua distribuição. Os visitantes participam de atividades e são confrontados sobre os diversos aspectos do meio ambiente, suas interações e consequências.

Para completar, a visita envolve a caminhada pelo Bosque do Servidor. O espaço reserva vegetação de espécies nativas recuperadas através do reflorestamento por servidores da autarquia. O reflorestamento contribui também para reabilitação de uma nascente, que corta o bosque. Além disso, o centro conta com a Biblioteca Meio Ambiente, com acervo de livros infantis sobre educação ambiental.

Segundo a assessoria de imprensa do DAE, a estratégia tem mostrado resultados. Um deles consiste na redução do consumo inconsciente de água nos últimos anos. Esse fator está associado a “conscientização ambiental por parte da população”, afirma o departamento. Você pode agendar uma visita através deste link.

Veja abaixo o avanço do centro urbanos de Bauru sobre a vegetação em volta da cidade.

Reportagem: Bárbara Paro

Edição multimídia: Karina Rofato

Edição: Guilherme Sette e Victor Pinheiro

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