Na arte de viver dos sonhos

Trabalhadores do centro da cidade de Bauru conversam sobre a rotina da informalidade

O termo “trabalho invisível” caracteriza tipos de ocupação, em geral com baixa qualificação, com pouco ou nenhum vínculo empregatício, sem renda fixa e fora dos sistemas de proteção social e leis de trabalho. Condições tão precárias acabam por gerar uma invisibilidade desse grupo de trabalhadores. O Repórter Unesp conversou com Rita Navarro, vendedora de sonhos do Calçadão e com Ricardo “Zóio”, um artesão. Os dois contaram um pouco mais sobre o trabalho informal que exercem e sua importância no contexto social. Confira!

Rita Navarro vende uma média de 70 a 80 sonhos por dia. (Foto: Jhony Borges)

Rita Navarro vende uma média de 70 a 80 sonhos por dia. (Foto: Jhony Borges)

Cada sonho custa três reais. (Foto: Jhony Borges)

Cada sonho custa três reais. (Foto: Jhony Borges)

Repórter Unesp: Como é sensação de trabalhar informalmente?

Rita Navarro: É boa porque tem muitas pessoas que passam pelo Calçadão de Bauru e compram nosso produto.

R.U.: Quanto tempo vocês trabalham?

R.N.: Vendemos de terça até sábado e o tempo que trabalhamos depende do movimento da cidade. Às vezes 2, 3 ou 4 horas, varia.

R.U.: Quais são as dificuldades do trabalho?

R.N.: É difícil quando chove, mas, em geral, é fácil. Temos dificuldade com a fiscalização porque não podemos ficar na rua do Calçadão, somente nas transversais. Se não fossemos insistentes, não poderíamos ficar ali. Algumas vezes as pessoas não têm respeito por nós, mas isso é normal, estamos até acostumadas. Trabalhamos nisso há cerca de dois anos.

Ricardo “Zóio” acredita que o trabalho do artesão tem mais reconhecimento hoje do que antigamente. (Foto: Jhony Borges)

Ricardo “Zóio” acredita que o trabalho do artesão tem mais reconhecimento hoje do que antigamente. (Foto: Jhony Borges)

 

Ricardo vende artesanato no Calçadão da Batista de Carvalho, em bares e universidades. (Foto: Jhony Borges)

Ricardo vende artesanato no Calçadão da Batista de Carvalho, em bares e universidades. (Foto: Jhony Borges)

Repórter Unesp: Quanto tempo você trabalha?

Ricardo “Zóio”: Trabalho no centro das 10h até 20h e depois vou até faculdades ou bares onde [as pessoas] gostam de arte, que são os lugares onde eu mais vendo.

R.U.: Onde é melhor trabalhar?

R.“Z”.: Na faculdade existe mais cultura do que no centro porque aqui tem o preconceito, muitas pessoas nesta praça fazem discriminação. Acham que porque tem um cabelo [hippie] e toma banho uma vez por mês a gente não é gente. Já com a polícia não tem problema.

R.U.: Há quanto tempo você trabalha?

R.“Z”.: Há 13 anos.

R.U.: Seu trabalho é reconhecido?

R.“Z”.: Agora é. Porque antigamente, há cerca de 10 anos, não era. A população era mais preconceituosa que hoje, mas estamos quebrando essa ideia. A galera está se acostumando com a arte.

Reportagem: Edison Fonseca

Produção multimídia: Jhony Borges

Edição: Letícia De Maceno

2 thoughts on “Na arte de viver dos sonhos”

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