Sambódromo consolidou o carnaval de Bauru

O Carnaval em Bauru é referência no Estado de São Paulo, com o segundo sambódromo a ser construído no Brasil

O Carnaval de Bauru já fez história no estado. Considerado um dos maiores carnavais de rua do interior paulista, os blocos e as escolas de samba bauruenses se preparam todos os anos para realizar uma festa de qualidade a toda a população e cidades vizinhas. O palco de toda essa festa durante os dias de carnaval é o sambódromo “Guilberto Carrijo”, que, desde 1991, recebe em sua passarela toda a alegria dos desfiles carnavalescos.

Nem sempre o carnaval foi comemorado na passarela do sambódromo. Bauru tem como tradição desde os anos 60 a comemorar essa data em grande estilo, com os blocos e escolas. Em 1976, foi criada a famosa escola da Mocidade Independente de Vila Falcão e, logo depois, o Acadêmicos do Cartola. Nessa época, os desfiles eram feitos na Avenida Rodrigues Alves.

Em 1983, o carnaval passou a ser comemorado na principal avenida da cidade, a Nações Unidas. Foi aí que essa festa teve os seus momentos de glória no Estado, sendo comparada, muitas vezes, aos grandes carnavais das principais capitais do Sudeste. O poder público da cidade se encarregava de um repasse de verbas para as principais escolas e era responsável por montar estruturas de arquibancadas, para melhor acomodação da população. Mas, em 1990, surgiu uma nova ideia, que revolucionaria e modernizaria cada vez mais essa festa.

O bairro do Geisel sofria com graves problemas de erosão na época, o que causava grandes implicações para os moradores da região. A prefeitura se encarregava de fazer um trabalho de colocação de terra, como forma de combate. Mas foi em 1990 que o prefeito teve uma grande ideia, que resolveria os problemas ambientais e traria investimentos no entretenimento. O secretário da cultura de Bauru, Elson Reis, relembra: “Naquele ano já existia o sambódromo do Rio de Janeiro e já se falava na construção do sambódromo de São Paulo”. Foi daí que surgiu a inspiração. O secretário conta que, em 1990, o prefeito da época fez uma proposta às escolas, de que não seria investido dinheiro na estrutura de arquibancada e não haveria o repasse de verba destinado a elas. “Esse dinheiro economizado seria investido na construção de um sambódromo”, diz Elson, que seria construído no Geisel, dando um fim aos problemas erosivos. Esse ano foi o último a ter o carnaval comemorado na Avenida Nações Unidas, que recebeu um desfile com uma estrutura mínima, sem camarotes e arquibancadas montadas e feito na forma de blocão, ou seja, cada escola formou uma ala com o material que tinha disponível. E em 1991 o Sambódromo de Bauru foi oficialmente inaugurado, já com as competições entre as escolas.

Com muito orgulho que o secretário Elson Reis comenta que o sambódromo foi o segundo a ser construído no mundo, já que só existe no Brasil e de que foi um passo importante para as comemorações da cidade: “As escolas, tem um local adequado, o púbico vê o desfile de cima como deve ser, existe uma área de concentração, dispersão, as coberturas que se transformam no camarote; enfim, o evento como um todo teve um upgrade bem significativo e a prefeitura continuou com o sistema de repasse”. Marcou uma era de profissionalização do Carnaval, a população passou a ter sua própria casa do samba, foi algo para valer. Atualmente, ele conta com 700 metros de extensão, sendo cerca de 450 metros destinados à área de desfile.

Para os foliões que esperam o ano todo para essa data, o Carnaval ficou ainda mais significativo depois da inauguração do sambódromo. Juvercy da Silva é passista na Mocidade e desfila há mais de 20 anos em Bauru. Para ele, “ o sambódromo, por ser o único existente fora da capital, ajudou a consolidar a força do carnaval de Bauru”. E isso é um motivo de orgulho para todos aqueles que têm a emoção de entrar na “avenida”, fazer bonito e transmitir muita alegria a todo o público.

Confira a galeria de imagens do sambódromo de Bauru:

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Reportagem: Tatiana Olivetto

Produção de mídia: Caroline Balduci

Edição: Vinícius Passarelli

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