A eterna busca pela verdade

Comentário referente à edição número 9 – Educação Pública

 

Dentre os princípios mais importantes que um jornalista deveria perseguir está a apuração – compulsória – do que se propõe a contar. É preciso sempre lembrar que temos em nossas mãos um papel de tamanha seriedade, na medida em que contamos histórias e histórias envolvem pessoas. Pessoas que nos emprestam suas histórias e pessoas que escutam nossas histórias, e devemos a todas elas o compromisso de buscar sempre a verdade.

Se o que estamos dispostos a fazer não é uma coluna de opinião, então temos que tentar ser imparciais, o máximo possível, com relação a nossas opiniões pessoais na hora de buscar a verdade dentro de um determinado fato. Não que isso que seja uma tarefa fácil, muito pelo contrário. Como bons seres-humanos que somos, nós jornalistas também temos a dificuldade de deixar de lado as nossas grandes causas na hora de relatar uma notícia. Mas um grande passo em direção a isso é sempre reconhecer os nossos erros.

A nona edição desta revista digital algumas vezes pontuou, pelas vozes de seus repórteres, opiniões sobre determinados fatos sem a justificativa de uma fonte qualificada no assunto. Inserimos, justamente nesta edição, alguns artigos de opinião pela primeira vez, no entanto, não me refiro a eles. É importante opinar, mas na hora e no espaço corretos.

Muitas vezes nós realmente sabemos do que estamos dizendo, mas o nosso leitor precisa entender o modo como chegamos à determinada conclusão em um texto objetivo. Exemplo da falta de apuração jornalística está em nosso texto A influência do espaço físico na educação:

“(…) A rigidez que se cobra na escola seria descartável se o ensino fosse feito de maneira mais atrativa para o aluno. O desafio da Educação é estabelecer métodos que ofereçam aos estudantes a chance de adquirir conhecimento sem se sentir preso em um ambiente cujo intuito é prendê-los (…)”

Deriva desse princípio da apuração a busca de fontes plurais em uma história, que mostrem que existe mais de um lado para se pensar e que busquem uma abertura da notícia, criando no leitor o hábito da reflexão, e não dando a ele uma só forma de pensar – a do jornalista.

Nesta edição tratamos sobre a educação pública. Quem, se não os próprios alunos, são os mais interessados no assunto? Faltou à nossa equipe ouvir um pouco mais do lado deles. Trouxemos aqui um vídeo de jovens opinando a respeito do espaço físico de escolas, mas demos pouca ênfase a ele, sem contextualizá-lo em seu post – de que escolas eram aqueles alunos? Em que série eles estavam? Sempre estudaram? Onde ficam as escolas abordadas?

Jornalismo sério e de qualidade não pode se confundir com senso comum, isso a população já tem. Precisamos tentar mostrar o outro lado da moeda, e o Repórter Unesp está disposto a fazer isso.

 

Mariana Torres

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