Vegetarianismo e veganismo: escolhas que vão além do prato

Em um país que consome poucos vegetais, ser vegetariano ou vegano é um desafio que exige pesquisa e criatividade. A opção de não consumir alimentos com proteína animal envolve um processo de adaptação do organismo, diversificação das refeições e mudanças na rotina.

Em 2010, o IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde, lançou a pesquisa “Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil”, com o objetivo de responder à pergunta: o que o brasileiro come? Buscando diversidade de respostas, foram entrevistadas pessoas com diferentes rendimentos mensais entre 2008 e 2009.

Os resultados apontaram problemas nos hábitos alimentares do brasileiro, como o alto consumo de carboidratos (alimentos derivados de cereais, leguminosas, raízes e tubérculos) e deficiência no consumo diário de frutas, legumes e verduras, correspondendo a apenas um quarto da quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 400 gramas por dia. O consumo de carne, no entanto, é equilibrado entre os diversos níveis de rendimento familiar.

Na contramão das estatísticas, estão os vegetarianos e veganos, pessoas que optam por uma alimentação baseada no consumo de vegetais, livre de proteína animal. A diferença básica entre esses dois tipos de “veg” é que os vegetarianos se alimentam de vegetais, com ou sem ingestão de laticínios e ovos, enquanto os veganos são mais radicais e não consomem nenhum produto de origem animal. Isso inclui não utilizar produtos testados em animais e não participar de eventos em que o animal seja usado para entretenimento, como rodeios, alguns circos e zoológicos.

A bióloga Kelly Campos é vegetariana há 9 anos e está se adaptando à dieta vegana, um processo que envolve muita pesquisa e contato com empresas para saber como os produtos são fabricados. Ela explica que ser vegano “é mais uma filosofia de vida, é viver sem exploração animal” e que isso exige pensar além da própria saúde e do bem-estar dos animais, o que é comum entre alguns vegetarianos.

“O vegano não tem a distinção entre os animais e o homem”, comenta o biólogo Luiz Reversi, que é vegetariano há um ano e pretende adotar o veganismo. “Quando se fala em veganos, as pessoas pensam só na dieta, mas a gente tem roupas, produtos cosméticos e produtos de limpeza veganos”, complementa.

Luiz Reversi e Kelly Campos explicam as dificuldades e prazeres do estilo de vida vegetariano. (Foto: Jéssica Santos)

Luiz Reversi e Kelly Campos explicam as dificuldades e prazeres do estilo de vida vegetariano. Foto: Jéssica Santos

 

A internet, para os vegetarianos e veganos, é uma ferramenta importante, pois ajuda a desmistificar esses estilos de vida e a manter contato com as empresas. “Tem produtos, por exemplo, que têm no rótulo a vitamina D. Só que eles sintetizam a vitamina D a partir de ovelhas e isso não está explícito”, relata Kelly, reforçando que a internet facilita o processo de pesquisa sobre os métodos das empresas.

Rodrigo Rosa é vegetariano há 8 anos e coordena o projeto Balaio de Krishna, que envolve culinária vegana e terapias naturais. Ele relata que o processo de transição para o vegetarianismo não foi fácil, mas que sua alimentação atual é muito mais diversificada se comparada à habitual combinação de arroz, feijão, carne e salada.

No vídeo, Rodrigo fala das mudanças que implicam a escolha do vegetarianismo ou veganismo e explica os princípios da Ayurveda, uma filosofia milenar voltada para alimentação e hábitos de vida saudáveis.

 

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Reportagem: Carolina Ito  

Produção: Jéssica Santos

Edição: Annelize Pires

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