Sabores internacionais

Nem só de culinária brasileira se vive no Brasil. O setor de franquias estrangeiras de alimentos tem crescido no país, e é possível refletir o quanto nossos hábitos alimentares são influenciados por outras culturas

[metaslider id=929]

No Brasil, o setor de alimentação é um dos que chama mais atenção dos estrangeiros. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising, o número de franquias estrangeiras no país cresceu 11,2% entre 2012 e 2013.

Para o sociólogo Murilo Soares, uma das causas da presença de diferentes culinárias no país é a miscelânea que formou a sociedade no período de imigrações, no final do século XIX. Ele acredita que “o contato entre as culturas acaba enriquecendo o patrimônio cultural de todas as sociedades, principalmente na gastronomia”.

Os indígenas deixaram como legado de sua alimentação a mandioca e as frutas. Os portugueses inseriram a cultura marítima e ensinaram a apreciar os frutos do mar. Os africanos trouxeram o costume da carne e das misturas. Os italianos apresentaram as massas. Já os árabes trouxeram as especiarias. Cada povo deixou um pouquinho de sua cultura no prato dos brasileiros.

Essa mistura é tão comum que alguns produtos considerados brasileiros são, na verdade, de outros países, e navegaram oceanos até chegar às terras tupiniquins. O milho, por exemplo, proveniente do México, é amplamente utilizado na culinária brasileira em pratos que caracterizam nossa cultura, como a pamonha e o curau.

O mesmo acontece com sabores brasileiros que ganharam outros países. O pão de queijo mineiro e o pastel estão entre as iguarias preferidas dos estrangeiros. Já a feijoada, além de ser tipicamente brasileira, revela importantes fatos do nosso passado e remete aos tempos coloniais de escravidão, em que o negro não tinha direito a uma alimentação digna.

São curiosidades por trás dos alimentos que tornam a culinária um importante elemento da formação cultural. Carolina Arbulu, formada em gastronomia, acredita que um prato é composto não apenas pelos nutrientes de cada iguaria, mas também pelas histórias de seus ingredientes.

É possível dizer, também, que esse intercâmbio gastronômico se dá devido à globalização da culinária. Ela possibilitou a inserção de diferentes cuisines no país, resultando em uma alimentação mais variada e mais saborosa, que instiga a conhecer novos sabores.

“As pessoas estão buscando culturas diferentes, e a gastronomia estrangeira é uma fonte de conhecimento, pois um restaurante não é composto apenas pela comida, mas sim pelo ambiente, pela música, pela decoração e pela vestimenta, que torna possível essa troca cultural”, explica Carolina.

As opções de restaurantes com culinária típica de países diversos são inúmeras. Hoje encontramos restaurantes italianos, mexicanos, tailandeses, australianos, árabes e orientais em diversas cidades do país, com destaque para a culinária japonesa, que ganha cada vez mais admiradores.

Jorge Fernando da Rosa, sócio e proprietário de um restaurante mexicano em Bauru, também acredita que a curiosidade e a busca por novas culturas é o que leva as pessoas a experimentarem culinárias distintas. “A comida estrangeira desperta a atração do público em geral por ser diferente e por essa questão de querer provar novos sabores”.

O multiculturalismo do Brasil fica explícito em São Paulo. Na capital, o setor de alimentação representa a culinária de 52 países. De acordo com o site “Visite São Paulo”, a capital paulista é a segunda maior cidade em número de restaurantes, tida como a Capital Latino-Americana de boa mesa.

Reportagem: Maria Eduarda Amorim

Produção: Gabriel Oliveira

Edição: Amanda Tiengo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *