Estilo de vida de vegetarianos e veganos gera preconceitos e mitos

A proteína da carne é insubstituível? Ser vegetariano é caro? Conheça os mitos e situações enfrentadas por pessoas que decidiram não comer carne

A proteína animal é insubstituível?

Um dos principais mitos que rondam o senso comum é o de que a ingestão de proteínas de origem vegetal é insuficiente para suprir a quantidade necessária ao organismo, podendo causar doenças como a anemia. O biólogo Luiz Reversi esclarece que “a dieta vegetariana não é pobre em proteínas. Na verdade, em termos gerais, ela não traz nenhum prejuízo à saúde” e essa visão é reforçada por “casos caricatos de pessoas que não souberam adaptar a dieta adequadamente”.

Rodrigo Rosa, coordenador de um projeto de culinária vegana, acredita que a carne oferece apenas prazer na alimentação, por isso decidiu se tornar vegetariano. “A partir do momento que você começa a entender que vai aplicar violência a outro ser vivo só para satisfazer um dos sentidos, o paladar, tem um peso muito grande na sua vida”.

Ser vegetariano ou vegano custa mais?

Ir ao supermercado para comprar comida é, sem dúvida, uma atividade que pesa cada vez mais no bolso. Daí vem a dúvida: ser vegetariano ou vegano é mais caro?

“Depende de como você vai adaptar a sua dieta”, diz a bióloga Kelly Campos, que complementa: “se você for adaptar para uma dieta mais naturalista, com mais vegetais, mais coisas naturais, acho que não tem uma variação de preço. Mas os produtos industrializados são mais caros, sim”.

Luiz concorda que apenas a substituição de alimentos utilizados na dieta carnívora aumenta os custos. “Se você quiser ter um padrão alimentar semelhante, substituindo e mantendo a mesma dieta, você paga mais caro”, afirma.

Homossexual? De esquerda?

A opção pelo vegetarianismo ou veganismo vem acompanhada de alguns estereótipos e preconceitos, principalmente por desafiar padrões construídos culturalmente há milhares de anos.

“No começo foi muito difícil”, conta Rodrigo.  Ele relata que as festas de família eram predominantemente churrascos – sua família tinha, inclusive, criação de gado – e que ele tinha que comer arroz e batata, por exemplo. “Você passa a ser considerado o ET da família. O ET ou o homossexual”, lamenta.

Além de homossexual, outro estereótipo associado aos vegetarianos e veganos é o vínculo com a ideologia de esquerda. Luiz lembra de uma situação em que ele e sua namorada estavam bebendo Coca-Cola e algumas pessoas tiveram reações de espanto. “Só porque a gente é vegetariano não tem que tomar suco de frutas orgânicas tiradas do pé”, brinca.

Para Luiz, a visão política é independente: “você pode ser extremamente capitalista e, ao mesmo tempo, vegetariano ou vegano. Embora eu ache difícil porque se você criticar racionalmente o capitalismo, você vê que é um sistema que não é viável, não é sustentável”.

Kelly acredita que a falta de informação motiva o preconceito em relação ao vegetarianismo e ao veganismo, e resgata a frase do ex-Beatle, Paul MacCartney: “se os abatedouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”.

Aqui vão duas sugestões de vídeos sobre o assunto, indicadas por Luiz e Kelly:

– Documentário “Terráqueos” (diretor: Shaun Monson – 2005 –  95 min)

http://www.youtube.com/watch?v=wZHOW-HwLmQ

– Curta-metragem “A engrenagem” (criado pelo Instituto Ana Rosa – 2012 – 16 min)

https://www.youtube.com/watch?v=KmIprNpcd94

Reportagem: Carolina Ito

Produção: Jéssica Santos

Edição: Annelize Pires

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *