Bauru e a gastronomia universitária

O modo de preparo é simples: deixe a água ferver, adicione o macarrão instantâneo, espere três minutos e pronto. É só colocar o tempero e comer. 

A cena parece comum para muitas pessoas que conhecem a rotina de um universitário, ou para aqueles que não têm muito tempo para cozinhar. Comidas rápidas e baratas são opções de alimentação que sempre carregaram em seu sabor a imagem do estudante.

A cidade-lanche de economia estudantil

No interior paulista, a cidade de Bauru é conhecida pelo grande número de universitários que abriga. Sua área, de 670 mil km², é ocupada por mais de 36o mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cerca de 20 mil pessoas fazem parte da população flutuante do município. São estudantes que chegam de outras localidades para compor as quatro grandes universidades – Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade do Sagrado Coração (USC) e o Instituto Toledo de Ensino (ITE).

Habitantes x Estudantes em Bauru

Infográfico: Leonardo Zacarin

 

Não é de se espantar que a gastronomia da região volte seus olhos para os estudantes. Na principal avenida bauruense, a Nações Unidas, empresas de fast food e restaurantes investem em seus estabelecimentos como forma de atrair clientes. “Em termos de qualidade do alimento, eu nunca tive nenhum problema com nenhum restaurante aqui. O preço depende muito, tem lugares que dão desconto para quem é estudante e aí tem as etiquetas do que você não pode comer, porque são alimentos caros. Outros têm preços mais acessíveis ou ficam abertos até mais tarde, para os estudantes que saem das festas”, ressalta o universitário Marlon Carvalho, que cursa Engenharia Elétrica na Unesp.

Os supermercados também são importantes fontes de trocas financeiras, sendo que os estudantes são tão consumidores quanto os cidadãos legais da cidade. Marlon chegou a Bauru sem saber o quanto gastaria com sua alimentação. “Não sabia dizer se tinha diferença de preço no supermercado, porque não era eu quem comprava. Agora, mesmo que não seja eu que compre, passei a ter controle dos gastos. Vai um dinheiro absurdo no mercado, eu não esperava que fosse tanto assim, mas você tem que comer. Com os meus pais nunca faltou nada, mesmo com eventuais problemas, talvez por causa disso eu, não digo a ‘não dar valor’, mas descobrir o valor dos alimentos. Eu sabia o preço do pacote do arroz, mas não sabia quanto ele renderia.”

“Antes de vir pra Bauru eu já cozinhava. O que mudou é o tempo: agora, tudo é um pouco mais corrido”, conta Vinícius.

“Antes de vir pra Bauru eu já cozinhava. O que mudou é o tempo: agora, tudo é um pouco mais corrido”, conta Vinícius. Foto: Nayara Kobori

Vinícius Carraschi, também da Engenharia Elétrica da Unesp e colega de apartamento de Marlon, ressalta a importância de racionalizar e planejar os gastos. “Eu diria que comida rápida é mais cara. Se você fizer a comida acaba saindo mais barato do que comprar pronto. Tem que ficar atento no que está em oferta. Você pode não usar agora, mas pode consumir o alimento outro dia. Você faz um planejamento. Tem também o lance da sazonalidade dos vegetais e frutas, que ficam mais baratos. Comprar coisa em maior quantidade às vezes compensa também”.

O aluno de Relações Públicas da Unesp, Ranier Rocha, concorda com a questão do racionamento de gastos no supermercado. “O fator econômico ajuda agora que existe uma onda verde, onde muitos produtos possuem seus preços inflados, mas comer saudável nada tem a ver com gastar dinheiro: trata-se da escolha sistemática dos alimentos e a proporção entre os tipos. Acho que alguém que não tem tempo integral para trabalhar e não ganha muito (estudantes em geral) devem prestar ainda mais atenção em seus hábitos e evitar correr o risco de cair na armadilha do caminho mais fácil”.

Além de impulsionar a economia, os universitários também fazem parte da representação cultural urbana do município. Assim, voltamos à cena inicial: a preparação do macarrão instantâneo e a imagem do estudante. A alimentação dos universitários é recortada pela criação de estereótipos e, muitas vezes, esquecemos que cada um possui seus próprios hábitos alimentares. A gastronomia bauruense tem ainda um toque a mais do que a paulista: a miscigenação de vários sabores por meio das mãos jovens daqueles que frequentam a faculdade.

Não sou feito em três minutos

Mesmo com os horários de aulas apertados e a participação em projetos de extensão universitária, Vinícius não se importa em perder mais do que três minutos para preparar a sua comida. “A comida é normal: arroz, feijão, carne, massa, até salada! Eu passei a comer mais salada depois que vim para Bauru. Na verdade, eu gosto de comer bem. E congelados, essas coisas, não são legais, não têm um sabor agradável. Então eu tenho costume de fazer as coisas. E gosto de brincar um pouco na cozinha também, é uma forma de desestressar”, comenta.

No primeiro ano da faculdade, Marlon passava os dias se alimentando do que era oferecido pelo restaurante terceirizado da Unesp e de macarrão instantâneo. “Não sabia cozinhar direito. Eu sabia não morrer de fome. Mas você cansa de comer miojo, eventualmente, começa a tremer um pouco. Mentira, eu não cheguei a tremer, não. Mas, quando comecei a namorar, queria fazer uma coisinha diferente, para a gente almoçar ou jantar junto. Fui procurar umas receitas gostosas para agradá-la e também para quando vêm uns amigos em casa”. Agora, Marlon até inventa receitas!

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 Yakisoba do Marlon

É preciso saber comer!

Depois de passar por uma cirurgia do estômago, Ranier Rocha passou a se preocupar com o que ingeria no dia-a-dia. Por isso, ao chegar a Bauru, teve que prestar atenção no que iria comprar para a sua alimentação. “Foi a partir desta mudança de dinâmica que passei a prestar mais atenção no custo e evitar desperdícios. Comecei a comprar de forma mais eficiente, procurando um balanço entre comida saudável, de boa qualidade, e preço acessível”, conta.

Ter cuidado com a alimentação mesmo longe de casa é um desafio. O segredo é saber a quantidade certa e o que vai comer, além dos horários corretos para refeições. No podcast abaixo você pode conferir dicas com a nutricionista Líbia Baviera de como se alimentar bem, com os horários apertados e economizando dinheiro. Afinal, comer é bom, e comer com saúde é ainda melhor.

 As dicas da nutricionista Líbia Baviera servem para os universitários que não têm muito tempo para preparar a alimentação.

Reportagem: Nayara Kobori

Produção Multimídia: Leonardo Zacarin

Edição: Mayara Abreu Mendes

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