Cursos técnicos agilizam inserção no mercado de trabalho

Uma das primeiras escolhas de quem estuda e quer entrar no mercado de trabalho é o tipo de curso irá fazer. Há a opção de cursos técnicos, tecnológicos ou graduação. Cursos técnicos são de nível médio (quem cursa ou completou colegial) e sua duração varia entre 2 meses e 3 anos. Eles oferecem uma formação rápida e em áreas específicas. Cursos tecnológicos são considerados de nível superior e duram entre 2 e 3 anos. São, às vezes, equivalentes a uma graduação resumida e priorizam o mercado de trabalho. Graduação tradicional, também de nível superior, tem duração entre 4 e 5 anos e apresenta profundidade de conteúdos teórico e prático.

Atualmente,  as ofertas de empregos tem diminuído devido à crise na qual o país se encontra. Cursos técnicos e tecnológicos apresentam uma oportunidade de arrumar emprego mais rápido. Neste ano, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) oferece cerca de 10 vezes mais vagas em cursos técnicos para alunos do Ensino Médio do que em 2016.

Segundo o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), 70% dos alunos formados em algum curso técnico consegue emprego logo após sua graduação. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que as chances de conseguir um emprego de carteira assinada aumentam em 38%, para quem tem formação técnica  A remuneração  também pode ser 13% maior do que aqueles que não fizeram um curso profissionalizante.

Um novo costume adotado por jovens é fazer um curso técnico ou tecnológico para entrar logo no mercado de trabalho. Depois de se estabilizarem, eles partem cursar a graduação tradicional. 

Formações técnicas e especializadas datam de 1909

Em 1909 foi assinado pelo então presidente brasileiro Nilo Peçanha, o decreto que marcou o início do ensino especializado. Foram criadas 19 Escolas de Aprendizes Artífices, cujo intuito era promover inclusão social de jovens carentes. Em 1937, com a Constituição outorgada por Getúlio Vargas, o ensino técnico passou a ser uma estratégia de desenvolvimento da economia. Era uma maneira de proporcionar melhores condições de vida para a classe trabalhadora.  Nesta época, as Escolas de Aprendizes Artífices foram transformadas em Liceus Industriais.

Em 1942, Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde, promoveu uma reforma no sistema educacional brasileiro. Com ele, os Liceus Industriais passaram a se chamar Escolas Industriais e Técnicas (EITs). O modelo durou até 1959, quando as EITs foram transformadas em Escolas Técnicas Federais (ETFs). 

Em 1970 houve forte expansão no ensino técnico e profissional com a aceleração do crescimento econômico. Em 1978 surgiram os três primeiros Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETS), que formavam engenheiros de operação e tecnólogos. Em 1994 havia a preocupação em preparar o Brasil para a revolução tecnológica que aconteceu entre 1980 e 1990. Os CEFETS viraram a unidade padrão da Rede Federal de Ensino Profissional, Científico e Tecnológico e passaram a englobar as ETFs e Escolas Agrotécnicas Federais.

Em 2008, o sistema foi reorganizado com a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, que absorveram os CEFETS e as Escolas Técnicas que ainda existiam.

Representantes do SENAI e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em assinatura de acordo. Créditos: Divulgação – SENAI

Existem pelo menos 3 caminhos diferentes de formação superior no Brasil

  1. Graduação Tradicional

É oferecida em universidades, faculdades, centros universitários e institutos tecnológicos. Ela engloba duas opções de diploma, licenciatura (formação de professores) e bacharelado (formação de pesquisadores). 

As instituições que oferecem esse tipo de curso podem ser públicas ou privadas. Para ingressar em uma graduação, é necessário que o aluno tenha concluído o Ensino Médio e preste o vestibular específico da instituição desejada.

  1. Graduação Tecnológica (Tecnólogo)

Este tipo de formação é oferecida em universidades, faculdades, centros universitários, centros tecnológicos e institutos tecnológicos. O aluno de um curso de tecnólogo recebe um diploma de faculdade, possibilitando sua inserção na área acadêmica. O estudo, porém, é focado em suprir as demandas do mercado de trabalho.

Para entrar em uma graduação tecnológica também é necessário ter o Ensino Médio completo e prestar o vestibular.

As mensalidades em Bauru $356,00 reais a serem pagas durante os anos de curso. A Fatec, por sua vez, oferece cursos gratuitos.

  1. Curso Técnico

Como não é um curso de graduação de nível superior, o formado não recebe diploma de faculdade. Em vez disso, ele recebe um certificado de conclusão de curso técnico.

Ele é um modo rápido de entrar no mercado de trabalho, devido à curta duração, e oferece conhecimentos específicos. São cursos focados na prática e não na teoria, não oferecendo ampla formação.

Em Bauru, os preços de cursos técnicos variam entre $9.602,00 e $7.755,00 pelos 2 anos de curso. No SENAI o curso é gratuito e o aluno paga somente o material didático, com cursos técnicos à parte.  A ETEC e o CTI são gratuitos, com ingresso através de “vestibulinhos” e são cursos integrados ao colegial.

Em Bauru, 5 instituições oferecem ensino técnico

  • Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial):  instituição de educação profissional privada e com fins públicos. Tem como missão desenvolver pessoas e organizações para o mercado e trabalho.
  • SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial): é uma instituição privada sem fins lucrativos, apontada pela ONU como uma das principais instituições educacionais do hemisfério sul. Tem como missão apoiar as 28 áreas industriais por meio da capacitação de pessoas nas áreas técnicas e tecnológicas.
  • Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo): instituições públicas de Ensino Superior pertencentes ao Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS). Tem como objetivo formar tecnólogos.
  • Etec (Escola Técnica Estadual): também pertencente ao CEETEPS, são instituições de Ensino Médio em conjunto com cursos técnicos, que podem ser feitos ou não junto com o colegial.
  • CTI (Colégio Técnico Industrial Professor Isaac Portal Roldán): unidade pública de Ensino Médio mantida pela UNESP e vinculada à Faculdade de Engenharia (FEB). Além do ensino médio, o CTI oferece cursos de habilitação técnica em informática, eletrônica e mecânica.

Essas instituições oferecem cursos técnicos profissionalizantes para seus alunos. Créditos: Divulgação – SENAI

Depois de cursos técnicos, alunos escolhem realizar graduações complementares

Mariana Pegoraro e Matheus Morales fizeram curso técnico em informática no CTI.  Os dois contam que nunca usaram o diploma técnico e que, de sua sala, menos da metade seguiu a área de informática. Eles dizem ainda que quase todos optaram por fazer uma faculdade complementar.

Filipe Bordon, estudante de Engenharia Elétrica na USP de São Carlos, concluiu o Ensino Médio pelo CTI no curso técnico em Eletrônica. Ele conta que pensou em pular a faculdade para começar a trabalhar, mas mudou de ideia. “Quando fui fazer estágio pensei seriamente em ingressar direto no mercado de trabalho. Mas ao ter contato com o ambiente percebi que o melhor seria fazer uma faculdade”, relata. Filipe diz que  optou por uma faculdade tradicional porque a área que seguiu “dá mais opções enquanto profissional, ao invés de ficar atrelado a algo muito específico”. 

Raphael Sigilo, formado na Fatec Jahu em Informática de Gestão Financeira, analisa algumas diferenças entre uma universidade e a faculdade que cursou. “A principal diferença entre a Unesp e a Fatec está nas disciplinas de ciclo básico, acredito. Na Fatec as coisas eram mais diretas, mais práticas, logo no primeiro anos tínhamos técnicas de programação e linguagens de programação, sem necessariamente ter que cursar várias disciplinas de física, química e matemática e grande parte das avaliações eram práticas”, afirma.

Segundo ele,  não havia problemas de retenção e desistências do curso. “Penso que isso se dê também pelo fato de que a pressão sobre produções talvez não seja tão grande na Fatec quanto aqui, mas não sei se isso é impressão ou verdade. Sinto que muitas vezes os alunos da Unesp são mais preparados para pesquisa do que para trabalhar, enquanto lá saiamos mais prontos para o mercado”, conclui Sigilo.

Reportagem: Marina Kaiser

Produção multimídia: Lucas Ferreira

Edição: Mariana Hafiz

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